Sandro Vidotto
Professor universitário. Têm artigos e publicações nas áreas de Marketing, Comunicação e Estratégia. É comentarista da TV TEM Sorocaba.

Publicado em: 15/03/2010

+VIOLÊNCIA

Até quando a gente aguenta ? Estes últimos dias não tem sido fáceis, a nossa sensibilidade está aflorada. Foi a morte do cartunista Glauco, a expectativa do julgamento do casal Nardoni, e mais perto da gente: crianças largadas em casa enquanto seus pais vão ao baile, torcedores que espancam adversários até a morte, motoristas que dirigem na contramão e matam sem sequer saber onde estavam e o que estavam fazendo. E agora isso: ataques de bandidos que já não se contentam em roubar, mas precisam barbarizar suas vítimas, e ainda filmam o ato para mostrar aos amigos como prova coragem e superioridade. Em muitos desses casos algo em comum: a consciência alterada por finais de semana regados a álcool e drogas. Trata-se de uma realidade pior que a guerra. Na guerra ao menos se tem inimigo e objetivo. Aqui ataca-se quem não se conhece sem qualquer razão e ainda filma. Até onde a gente aguenta ?

 

Publicado em: 15/03/2010

DIA DO CONSUMIDOR

No ranking do PROCON, do ano de 2009, entre as dez campeãs em reclamação quatro são bancos e quatro empresas de telefonia. Só estas últimas responderam por 45% das reclamações, especialmente por cobrança de serviços, que foram incluídos na conta, sem que os clientes tivessem pedido. O mais surpreendente é que esses dois setores investiram no ano anterior sete bilhões e 200 milhões de reais para conquistar clientes. Uma antiga lição sobre negócios, atualizada, fica mais ou menos assim: “Eu sou a pessoa que liga para o serviço de atendimento ao cliente da sua empresa e é jogada de atendente em atendente, até ser tirada do sério, sem que ninguém resolva o problema. Ou que fica horas na fila esperando enquanto os funcionários discutem futebol e loteria esportiva. Posso parecer uma pessoa do tipo que nunca cria problemas. Engana-se!  - Eu sou aquele que se diverte vendo bilhões sendo gastos para me levar de novo à empresa.  Muito prazer!

 

 

Publicado em: 08/03/2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O Dia Internacional da Mulher é comemorado hoje, porque nesta data em 1857, 129 mulheres morreram  queimadas, em Nova Iorque, trancadas na fábrica onde trabalhavam. Foram mortas porque lutavam por melhores condições de emprego. Se esse fato, por si só, já causa indignação o que dizer da estimativa que mostra que hoje, no Brasil, 15 em cada 100 mulheres vivem ou viveram violência doméstica. É algo perto de 30 milhões de pessoas. Só para comparar é o equivalente a toda a população da Venezuela, dois Chiles ou quatro Suíças. E não estamos sozinhos, nessa lista de violência somos apenas o 12º. colocado. Esse comportamento masculino agressivo, utilizado como solução de conflitos, tem sido justificado ao redor do mundo e ao longo da história por: culturas, mitos, leis e até orientação religiosa. Que este dia seja comemorado não apenas com flores, mas com reflexão sobre um tempo de convívio harmonioso e de igualdade que parece estar, ainda, muito distante.


Publicado em: 08/03/2010

ASSALTO AS LOTÉRICAS

Você vai à padaria comprar o quê? Eis uma piada que perdeu todo o sentido. As padarias, além do pão, hoje, vendem revistas e servem almoço; os postos de gasolina comercializam cerveja, carvão e carne para churrasco; e as agências de correio vendem até cartelas de jogos. Há uma crescente tendência de tudo se tornar “conveniência”, com todos vendendo de tudo. Com as lotéricas aconteceu o mesmo: foram transformadas em miniagências bancárias. Só que não se enganem. Isso não aconteceu para ajudar as pessoas. Acontece que, para os bancos, receber contas era trabalhoso, causava fila e gerava pouco lucro. Eles se livraram, pois, desse problema transferindo-o para as lotéricas. E junto, claro, veio o problema da segurança. Com mais dinheiro no caixa essas se tornaram atrativas e alvo muito fácil de bandidos. Agora, muitos proprietários estão entre a cruz e a caldeirinha: ou entregam o lucro para o ladrão ou para a própria segurança.

Publicado em: 08/03/2010

O PREÇO DA EDUCAÇÃO

O que está alto não é o preço da educação, pois, afinal, ninguém compra educação. O que custa caro é garantir o futuro dos nossos filhos a partir de uma formação de qualidade. É o maternal, o fundamental, o ensino médio, o cursinho, a universidade, o intercâmbio, a pós-graduação e o sentimento de, ainda, não ter feito tudo o que poderíamos para garantir o sucesso deles. A escola que desejamos – gratuita, universal e de boa qualidade, que proporcione igualdade -, ainda não existe. Mas, entre o preço da educação e a ignorância, a educação ainda custa menos, bem menos.

Publicado em: 22/02/2010

Briga de torcidas barbárie ou selvageria?

Chamar a briga de torcidas de barbárie está errado, pois os bárbaros eram só aqueles que não eram gregos e por isso supostamente incultos. Isso é anterior e pior que a barbárie. Está mais associado à selvageria, onde seres animais primitivos, nômades, despojados de inteligência e sentimento, têm sua vida resumida a um pequeno universo: sem rei e sem lei. E expressam o seu sentido de vida em ambiente de agressão e contínua violência onde se revelam os mais primitivos instintos. Os cientistas acreditavam que esse ser: animal, individualista e egoísta teria desaparecido da terra há alguns milhares de anos. Uma pena que estejamos descobrindo, hoje, alguns deles travestidos de torcedores de times de futebol.

Publicado em: 17/02/2010

CARNAVAL

É, agora sim o Brasil engrena, afinal acabou o carnaval. Mas vamos com calma, hoje só meio expediente porque ninguém é de ferro. E olha, já se foram 47 dias deste ano. Se descontarmos os 12 de feriados e pontes que ainda acontecerão, mais os sábados e domingos, sobram 210 dias úteis. Considerando que ainda teremos copa do mundo e eleição e nesse período o expediente corre mais solto, restam mais ou menos 180 dias. Por isso gente vamos lá, com garra, aproveitar esse restinho de ano.

Publicado em: 11/02/2010

TAXISTAS

Trabalha sozinho, carrega dinheiro vivo, está preso pelo cinto de segurança e não tem como saber se o passageiro ao seu lado é um assaltante. Isso tudo transforma o taxista  em um alvo muito fácil para a criminalidade, que se beneficia, ainda, da incapacidade de proteção da polícia. As alternativas: microcâmeras nos carros ao custo de 2 mil e 800 reais ou cabine blindada, com passageiros só no banco de trás, por 4 mil reais – soluções muito caras para a categoria. Enquanto ficam sem proteção, resta aos taxistas – além de psicólogos – transformarem-se também em adivinhos, para preverem se a cada corrida serão assaltados ou não.

 

Publicado em: 11/02/2010

ITUPEVA

 No Brasil é assim: "cada um com seus problemas". Mas certo problema geral, em Itupeva, provavelmente, começou com alguém que permitiu terrenos à beira de rodovia ou, ainda, a passagem de uma rodovia bem no meio de dois bairros, sem pensar nas consequências futuras. Agora, o problema do D.E.R. é asfaltar tal pista e impedir sua transposição, independentemente do transtorno para as comunidades próximas; o problema do poder público é culpar o D.E.R. por um trevo que não foi construído; e o da população é reativar, ainda que “na marra”, o trajeto antigo e utilizá-lo, mesmo que vidas sejam colocadas em risco.

No mais, ficamos assim: com os ânimos alterados, cada um no seu quadrado e com muitos prejuízos compartilhados.

 

 

Publicado em: 11/02/2010

DENGUE

Eu não sei se somos esquecidos, desinformados ou caras-de-pau mesmo. A dengue está aí fazendo vítimas há tanto tempo e muita gente não se dá o simples trabalho de acabar com os criadouros do mosquito. Coisa simples, que não dói e que geralmente não exige esforço nem inteligência “anormais”. De modo geral, para os desmemoriados, ou supostamente desinformados, que colocam em risco a saúde da população, só funciona a campanha tipo "pernilongo": aquela que, de tanto buzinar no ouvido, faz com que a pessoa se levante da poltrona e, enfim, tome alguma atitude.

Sandro Vidotto. Todos os direitos reservados.2010