Grupo Panna
Rosangela Embalagens

Publicado em: 10/06/2011

Sustentabilidade: exemplos de ações "verdes" que deram certo

 

Jeans de fibra de pet, couro vegetal, roupas tingidas com água de beterraba. Pode não perceber mas, a sustentabilidade já chegou a moda! Em uma fábrica de Conchas, no interior de São Paulo, mais de 60 mil roupas  foram produzidas na última coleção e todas são orgânicas. A preocupação começa na roça. "Conseguimos montar um projeto que vai desde o agricultor na descontaminação da terra , no plantio e manejo do algodão , até chegar a colheita do algodão , que não pode ser mecanizada é sempre manual, certificaram então da planta ao produto final", explica Daimar Cigerza, gerente de operações.

Não é só o tecido que é orgânico, os corantes são extraídos de espécies nativas da flora brasileira. Como o anil, da anileira. Na lavanderia, é realizada a etapa final de tingimento das peças. Uma camiseta 100% algodão, já foi cortada, estampada com pigmentos orgânicos e agora vai ganhar uma cor, o que é feito em uma máquina, é como se fosse uma lavagem. As cores são misturadas e fixadas com o sal. Alguns minutos depois, a peça está pronta. Para conseguir produzir roupas sustentáveis os empresários não economizaram esforços. "Começamos com algumas viagens a Índia, fomos a alguns países do oriente, buscamos informações, também na região da América Central e aqui dentro do Brasil também", declara Daiamar. As peças de conchas já são exportadas para países europeus.

Nós também conhecemos outro empresário, de um ramo completamente diferente, mas que também acreditou que investir em sustentabilidade era o melhor caminho. Em uma paisagem maravilhosa, bem no meio da Serra da Mantiqueira, encontramos um hotel diferente. No ano passado ele ganhou o selo de “Mais Sustentável do País”, em um concurso promovido por uma editora de guias de turismo. Para quem imagina que cuidar do meio ambiente traz apenas despesa extra, o proprietário do hotel dá uma lição. "As pessoas acham que sustentabilidade traz custos e é exatamente ao contrário, quando você por exemplo, muda de lâmpada encadescente, para lâmpada fluorescente, a gente tem uma redução de mais de 50% da economia de energia", explica José Fernando Franco, propietário do hotel.

Não foi apenas nas lâmpadas que o hotel economizou. A construção aproveitou madeiras de reflorestamento. Na lavanderia só entra produto biodegradável e a secagem das roupas é feita nesta estufa, aproveitando a luz do sol, que também é usada para esquentar a água e acender as luzes. A sauna é aquecida a lenha. A salada bonita, as frutas, a abóbora que vai virar doce no tacho de cobre. Alimentos fresquinhos, tudo plantado no próprio hotel. O adubo usado nos canteiros é orgânico e para garantir a qualidade da terra, eles montaram até um minhocário. O pensar sustentável é imaginar um mundo melhor para todos. O banheiro também é todo adaptado: A porta de entrada, o sistema de descarga, barras de apoio e assento especial. Natureza, ambiente agradável e comida boa com tantos cuidados, além de turistas o hotel atraiu um amigo especial: o chico. O macaco prego apareceu no hotel e foi adotado pelos funcionários, pelos visitantes. Chico não faz cerimônia, come a fruta e depois ainda bebe um copinho de leite.

A sustentabilidade está mesmo por todas as partes, com pequenos gestos, podemos fazer a nossa parte. Até na hora de escolhermos nossos alimentos, podemos pensar sustentável. Parece um supermercado comum, mas os carrinhos são feitos com garrafas pet recicladas, as prateleiras foram construídas com madeira certificada, as paredes são envidraçadas e as telhas são transparentes, para aproveitar melhor a luz solar. Estamos em um “mercado verde”, o primeiro da América Latina, em Indaiatuba, no estado de São Paulo.

 

No supermercado o cliente também é convidado a adotar hábitos sustentáveis. Antes de ir embora, o consumidor já pode descartar embalagens que não vai precisar. O cuidado continua do lado de fora. Foi montado um ponto de coleta que encaminha para reciclagem cerca de 7,5 mil quilos de lixo por mês.  Olha lá a dona Ivone, chegando com o carro cheio de materiais recicláveis. "Quando comecei a reciclar que vi a importância que é, quanto a gente tem de lixo em casa, que dá pra reciclar", explica a professora Ivone Maria Horn da Silva.

Em uma outra loja são mais de 700 itens de produtos orgânicos. "Essa parte de frutas verduras e legumes os produtos são provenientes de produtos regionais.  Tem impacto positivo na questão de transporte, você não tá deslocando mercadoria em grandes distâncias, evitando poluição, transporte", explica o gerente da loja Edson Zangirolli.

Fomos conferir no campo como são plantados os produtos orgânicos. Seo João nasceu na roça, casou no sítio, formou uma família e até hoje não tira o pé da terra. Mas, ele não parou no tempo, fez cursos e adotou na agrovila onde mora, o sistema agroflorestal sustentável. Atualmente nós temos aumento do buraco da camadas de ozônio este tipo de produção inserindo as árvores nativas, as adubadeiras, companheiras da produção, ajuda melhorar isso, hoje tá precisando olhar bastante pra esse lado. Na área de 17 hectares tem abacaxi, café, banana, goiaba. Uma infinidade de frutas e legumes e tudo é plantado no mesmo lugar. É a imitação de uma floresta. Na roça não entra agrotóxico, a água é usada sem desperdício, o solo é cuidadosamente preparado para receber as sementes.

A maior parte do que é produzido na roça vai para uma cooperativa que separa, embala, e revende os alimentos, para supermercados, feiras, antes desses produtos chegarem a mesa dos consumidores, eles passam por um teste: A mesa da família Silva, é aqui que eles experimentam, o que é plantado e colhido sem nenhum agrotóxico, 100% natural. "É gratificante a gente ter um produto 100%, sem nada de químico, a gente sabe que quem tá consumindo nosso produto é um produto garantido, né," explica Eva Conceição da Silva.

Sustentabilidade também é a palavra de ordem para outra família, a Motta. Maurício, Márcia e os filhos Vitor e Lucas moram em Ibiúna, em uma chácara, em uma casa bem diferente. Todas as peças de decoração e móveis foram fabricados pela família, essa prateleira foi feita com com batente de porta, essas portinhas aqui debaixo da pia, foram fabricadas com restos de moldura de uma vidraçaria, a madeira do balcão é de uma árvore que caiu aqui no sítio, o banquinho foi feito com ferro e madeira de demolição. Tudo nesta casa foi fabricando pensando na preservação do meio ambiente.

No armário da cozinha até a tela do galinheiro veio parar aqui. A estante de livros foi feita com caixas de frutas e legumes. Nada é perdido. Maurício recolhe madeira de construções, ganha dos amigos e vizinhos. "Eu não podia me dar esse luxo, ir numa loja dizer que dá uma sofá, uma cama, um guarda roupa, não. Eu tinha que me virar, as madeiras que eu tinha trazido pra minha casa, comecei a fazer móveis e acabou saindo, fluiu", explia Maurício Motta, artesão.

E fluiu tanto que ele transformou esse talento em profissão. Atualmente ele vive das peças de marchetaria, a arte de cortar e colar madeiras decorando móveis e peças artesanais. Mas, a obra principal do Maurício ele não fez com madeira não, foi com ensinamento aos filhos. "Eu acho que todo mundo devia ter essa consciência de não pensar em si mesmo, mas sim, no mundo."

Publicado em: 09/06/2011

Sustentabilidade: a energia e os transportes "verdes" que ajudam na preservação


Poluição, degradação e desperdício. Nossos recursos naturais estão em perigo. O desenvolvimento, o crescimento da população e até a descoberta de novas tecnologias contribuem para o aumento do consumo de energia elétrica. Mas, o que produzimos é suficiente para garantir nosso futuro? O Brasil está entre os três países que mais produzem energia elétrica, a partir de hidrelétricas. Atualmente, são 176 usinas em funcionamento. Nove estão em construção. A energia produzida através do aproveitamento da água dos rios é uma das mais baratas, mas causa impactos ambientais. Muitas espécies da flora acabam submersas e animais precisam se refugiar em outras áreas.

A represa de Itupararanga foi construída em 1911 e a usina teve seu funcionamento iniciado em 1914. Ela é remanescente de um tempo em que o governo brasileiro acreditava que o melhor investimento em energia, seria a construção de grandes hidrelétricas. O apagão e a preocupação com questões ambientais mudaram esse cenário.
Em 2004 foi criado o Proinfa -  Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica.

O objetivo maior do governo é aumentar a produção de energia elétrica utilizando as fontes diversificadas como a eólica, a biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. Atualmente existem 40 usinas eólicas em operação no brasil, mas a expectativa é que 54 estejam em funcionamento até o final deste ano.

Uma fábrica de Sorocaba produz por ano 250 geradores de energia eólica. A maior parte da produção é comprada pelo governo através de leilões. O excedente é exportado para a europa. "A transferência do movimento da energia do vento, transformada em energia elétrica, faz com que essa transmissão seja feita sem emissão de qualquer espécie, de qualquer poluente", explica o presidente da Wobben, Pedro Vial. 

A chamada energia renovável é aquela que a natureza repõe com regularidade. É o caso do sol, do vento, da chuva, da água. As não renováveis também vêm da natureza, mas se esgotam. Como a energia do carvão, do petróleo bruto e do gás natural. Produzir energia limpa e renovável é o desafio do século. "Os recursos naturais que não são renováveis a gente tem que aprender a diminuir o consumo, a sermos mais econômicos no uso desses recursos e os renováveis a gente tem que aprender a usar de forma racional, para que eles também não se esgotem", explica Vera Alex, engenheira florestal.

Nossa equipe viajou para Olímpia, na região Noroeste de São Paulo, para conhecer o trabalho de uma usina que produz açúcar e etanol. A empresa transforma o bagaço da cana-de-açúcar em energia. Ao contrário da maior parte dos combustíveis que geram eletricidade, o bagaço vem de fonte renovável, por isso, é considerado energia limpa. O resíduo abastece as caldeiras das oito unidades industriais e ainda sobra energia para abastecer uma cidade de 500 mil habitantes. O excedente é vendido em leilões. "Até 2014 a nossa meta é atingir uma produção suficiente para alimentar uma cidade ma ordem de 2 milhões de habitantes", explica Fábio Pelegrini, gerente da usina.

A usina ainda produz o chamado etanol sustentável. O plantio é feito em terras que respeitam a área de mata nativa e quase toda a colheita já é mecanizada,  evitando assim o estrago provocado pela queima da palha. Com essas medidas eles conseguiram certificação internacional para a produção desse etanol especial. "Hoje a empresa que não investe em sustentabilidade está perdendo mercado, porque todo o mercado hoje está voltado para o respeito ao meio ambiente", declara Pelegrini.

Além de produzir energia limpa, para melhorar a qualidade do ar que respiramos é preciso mudar também atenção ao tipo de transporte que utilizamos. Dois 2,5 milhões de passageiros por dia, dois mil veículos e quase cem quilômetros de pistas exclusivas para os ônibus. Em Curitiba, a capital do Paraná, o transporte coletivo é modelo. Os pontos de ônibus tem design moderno, são espaçosos, cobertos e funcionais. Eles são climatizadas e contam com um sistema inovador de purificação do ar. A novidade é a linha verde, são 10 km no trajeto cercado de árvores.

Outro diferencial da linha verde é o monitoramento da qualidade do ar. O sistema usado aqui é para reduzir os niveis de poluiçao. Os onibus movidos a biocombustivel emitem menos poluentes que os outros. Bom para a saúde de todo mundo. É em Curitiba que estão os seis primeiros ônibus da América Latina a rodar apenas com biombustível, sem mistura de diesel. "Acertamos aí com o biocombustível. Extraído da soja, então estamos tendo sucesso, solicitamos aos nossos parceiros, fabricantes de chassi, de motores, e eles atenderam nosso e fabricaram. Ônibus preparados para utilização de biocombustível 100%", declara Celso Ferreira Lúcia, coordenador da unidade de inspeção.

Mas, não é só mudando o tipo de combustível que dá para ajudar o planeta. Os carros são grandes emissores de monóxido de carbono, um dos responsáveis pelo efeito estufa. Por isso, andar de bicicleta pode parecer um gesto simples, rotineiro. Mas além de cuidar da saúde, você também estará colaborando com o meio ambiente. De acordo com dados divulgados pelo denatran - o departamento nacional de trânsito, a frota circulando hoje no país é de cerca de 64,8 milhões veículos. A Universidade Católica de Brasília cruzou esse dados com a emissão de gás carbônico e concluiu que nossa frota despeja no meio ambiente 171 milhões de toneladas de CO² por ano.

Pedalar é o que muita gente faz em Sorocaba. A cidade tem 70 quilômetros de ciclovia. Cada vez mais pessoas adotam a bicicleta como meio de transporte. O auxiliar administrativo Cássio Gonçalvez, sai de casa às 7 horas da manhã, para ir ao trabalho. Poderia chegar ao escritório em menos de 30 minutos. Mas decidiu esticar a viagem e ele faz um caminho diferente todos os dias e pedala durante uma hora. "Acho que tem como as pessoas pegar e deixar o carro um pouco de lado e procurar ir ao serviço de bicicleta, fazer uma atividade, seria melhor para o trânsito, para o dia a dia as pessoas e uma qualidade de vida", explica Cássio Gonçalves.

Qualidade de vida também é o que motiva essas pessoas. Domingo de sol é dia de passear pela ciclovia que fica as margens do Rio Sorocaba. Cristina vai com a família até a ciclovia. "A gente pode estar junto, curtindo a natureza, visitando lugares da cidade que a gente às vezes de carro num consegue perceber. Olhar mesmo com atenção as coisas que estão a nossa volta", explica a professor Cristina Bernal.

Publicado em: 09/06/2011

Repórter Thiago Ariosi fala sobre sua experiência na série Sustentabilidade

Publicado em: 08/06/2011

Sustentabilidade: ter uma vida equilibrada, reciclar e evitar o desperdício

 

Muitos povos não tem água, nem um pingo pra beber. Já pensou que coisa chata isso aqui acontecer? Pensar em sustentabilidade é pensar no futuro do planeta, o futuro começa agora, e as crianças de uma escola de Sorocaba, com apenas dois anos de idade, já falam de assuntos de gente grande. Das crianças para os adultos.

O pensamento em sustentabilidade também motiva o trabalho de um pessoal da Fundação Getúlio Vargas. "O que a gente tem observado é que há uma série de desafios novos no século XXI, que envolvem questões ambientais, principalmente a questão de mudanças climáticas, envolve a questão social também. Além da pobreza, desigualdade, mas a gente tem uma sociedade civil cada vez mais consciente, atenta que cobra", explica o coordenador da FGV, Mário Monzoni. A fundação dá consultoria para as empresas que querem adotar uma relação comercial mais sustentável, apoia o lançamento de livros e capacita pessoas que vão formar mais gente para trabalhar com sustentabilidade.

A educação é uma ferramenta essencial para disseminar o conceito de sustentabilidade. Através de projetos  dentro e fora das escolas, crianças e adultos vão aprendendo como a mudança de hábitos colabora para um mundo mais sustentável. Eles deixam a sala de aula, os cadernos, vão para a rua. Ou melhor, para o lixão. Em São José do Rio Preto o projeto “Trilhas da Educação Ambiental”, leva as crianças para o aterro. "O colégio vem trabalhando um projeto de conscientização e do descarte correto do lixo e nesta visita nós podemos finalizar o nosso projeto de conscientização das crianças", explica a professora Adriana do Amaral.

As crianças conhecem todo o processo, da chegada dos caminhões até a destinação de cada tipo de resíduo. As paredes de vidro permitem que os alunos acompanhem tudo. Lição que eles prometem dividir com os pais. A pequena Marcela de Lima Pereira, de 9 anos, já sabe o que vai falar pra mãe. "Ela vai ter que ver se as coisas no lixo, são mesmo lixo ou se tem coisa que a gente pode reaproveitar. Tem tanta coisa que a gente joga fora e que não devia", declara a aluna.

No final as crianças são convidadas a colar em um painel em forma de árvore, os desejos para um mundo mais sustentável. O desejo de mudança também motiva um outro projeto eduacional que a equipe da TV Tem foi conhecer em São Paulo. No meio da maior cidade do país, uma universidade que incentiva a preservação do meio ambiente, que fica aqui no Parque Ibirapuera, o maior de São Paulo. A Umapaz - Universidade do Meio Ambiente e da Paz - não é um centro de educação comum, a proposta é discutir a qualidade das relações humanas e iniciativas para melhorar a vida no planeta. Aqui as aulas são diferentes e a concentração é fundamental.

A cada passo na aula de dança, um significado. A aula de dança circular é considerada sagrada. "Nós buscamos resgatar passos, dançados antigos , passos tradicionais de cada povo  e ao mesmo tempo contemplar, acolher os passos da nossa atualidade , como a ciranda, passos contemporâneos, o próprio balé, trazendo pra esse movimento circular de convivência, que retrata a nossa vida", explica a professora Estela Pereira Gomes.

No vai e vem dos passos, os participantes aprendem mais que dançar. "É um trabalho de acordo com o que a gente tá vivendo no mundo hoje, essa necessidade de inter-relacionamento , necessidade de contatos, necessidade de olhar pro outro, pra gente ter uma humanidade mais feliz e saudável", fala a aposentada Maria Carolina Borges de Almeida.

Mas existem outros trabalhos e na jornada para mostrar projetos educacionais relacionados a sustentabilidade, passa também pelos trilhos das rodovias. Um projeto ambiental dentro de um vagão de trem o viajante é convidado pra uma viagem ao conhecimento. A espera pelo começo do passeio é cheia de expectativa. Muitas crianças que moram perto da linha férrea, mas nunca tinha estado dentro de um trem aproveitam o passeio. No “Vagão Ambiental”, uma espécie de sala de aula sobre os trilhos, percorre cidades de seis estados brasileiros. "Objetivo é despertar a consciência ambiental das crianças. Então a gente precisa colocar na mente das crianças uma forma de que elas aprendam a lidar com o meio ambiente de uma maneira sustentável" explica o monitor Jodair Moreno.

O espaço é todo decorado e adaptados para receber os alunos e no vagão são estimulados a usar os sentidos. As gêmeas Júlia e Giovana, que estavam ansiosas antes do início da viagem, na saída contaram o que acharam dessa aula diferente. "Eu aprendi a plantar, a cuidar da natureza. Eu achei muito ótimo, eu achei legal, eu gostei."

Publicado em: 07/06/2011

Sustentabilidade: iniciativas que transformam o presente, pensando no futuro

 

As boas iniciativas são o que fazem com que a gente caminhe para um mundo mais sustentável. No Pará conhecemos uma cidade que é um exemplo de que é possível dar a volta por cima. Paragominas já esteve na lista das cidades que mais desmatavam no estado e há três anos o Ministério do Meio Ambiente determinou um embargo e os produtores ficaram impedidos de fazer financiamentos rurais.

Dezenas de madeireiras foram fechadas e o que restou daquela época foi um cemitério de serrarias. Eram mais de 400 na região, hoje são menos de 20 e todas legalizadas. "Hoje já virou um programa estadual que é o programa municípios verdes, então o exemplo de paragominas erradiou para o estado de uma forma geral", explica Felipe Zagalo, coordenador de Meio Ambiente.

Existem áreas de mata nativa e outras com o milho e criação de gado. A tecnologia aplicada no campo não pode interferir na floresta. Na fazenda do produtor Pércio Barros de Lima, os animais são constantemente trocados de área, para que o solo se recuperar. "A gente usa também bebedouros artificiais e com isso faz com que o animal não vá aos igarapes causar assoreamento, nem danificar o  mata ciliar", explica Pércio.

A tecnologia também é importante e satélites ajudam a detectar imediatamente áreas de queimada. O pesquisador da Imazon, Paulo Amaral, explica que as imagens de satélite identificam pontos de desmatamento. "A gente envia essa  informação para o município, uma pessoa capacitada vai até o campo e identifica se o desmatamento está acontecendo", declara o pesquisador.
  
Com estas ações, Paragominas passou a ser um exemplo de sustentabilidade. E não é só no Norte do país que existe a preocupação com o desmatamento. Em Itu, interior de São Paulo, a ONG SOS Mata Atlântica em parceria com uma grande empresa se propôs a um desafio:  Plantar uma florest. A empresa cedeu uma área de 540 hectares e a ONG está fazendo o plantio de mudas.

O trabalho começa em um viveiro que produz por ano 400 mil mudas de diferentes espécies. O banco de sementes também ajuda a manter o estoque do que será plantado na floresta. Árvores de diferentes espécies - inclusive as frutíveras - crescerão na área. "Vai melhorar a qualidadede água, da fauna e flora. Enfim o benefício acaba atingindo a todos que estão no entorno de um projeto deste de restauração florestal", explica o biólogo Bitante Fernandes. Em aproximadamente 15 anos a expectativa é  contar com uma floresta já formada.

Se é preciso cuidar das nossas florestas, temos que fazer nossa parte na área urbana também. Pensando nisso a TV Tem desde 2003 desenvolve em parceria com as prefeituras o projeto “Cidade Limpa”. Já foram recolhidas mais de 128 mil toneladas de lixo, beneficiando 21 milhões de pessoas e não basta recolher tudo isso é preciso reciclar. Por dia cada um de nós produz em média 1,5 kg de lixo. No país inteiro são cerca de 182 mil toneladas.

Curitiba ganhou o título de cidade mais sustentável do mundo e dá exemplo. Na capital paranaense já são reaprovietados 70% do lixo. O lixo em Curitiba não vai pro lixo. A cidade foi a primeira do país a implantar a coleta seletiva, em 1989. Centenas de famílias sobrevivem da reciclagem e o catador Eloir de Oliveira é um deles. O que ele consegue coletar é trazido para uma cooperativa, onde é feito o processamento dos resíduos e a venda. O dinheiro vai para os catadores. "Hoje estou tirando R$ 1,2 mil por mês", comemora o catador de lixo.

Nas regiões mais pobres, para conseguir conscientizar os moradores, a prefeitura decidiu incentivar os moradores. Lançou um projeto chamado de câmbio verde e funciona da seguinte forma: Quem entrega lixo reciclável ganha alimentos. O caminhão que troca lixo por alimento visita 160 locais da cidade e por onde ele passa a imagem é a mesma. Moradores com carrinhos cheios. A troca é feita a cada 15 dias. Quem trás quatro litros de lixo reciclavem recebe em troca um quilo de frutas, verduras. Quem traz uma garrafa pet de dois litros com óleo de cozinha usado também recebe um quilo de alimento.

Essa integração da natureza com o homem, foi mostrado no Pará. Uma comunidade encontrou em uma grande indústria de cosméticos a fórmula correta para uma parceria que rendeu frutos. O projeto no Pará que mudou a relação de dezenas de famílias com a natureza. O resultado, mais qualidade de vida. A recepção mostra a alegria e o orgulho dessa comunidade. Há oito anos eles viviam só da roça e cortavam as plantas nativas da amazônia para plantar mandioca, milho, arroz e feijão. Atualmente são justamente essas plantas a principal fonte de renda de 36 famílias. "Antigamente os próprios jovens tinham que deixar o estudo para ajudar os pais na roça. Melhorou a economia e também mais oportunidades para os filhos estudarem até se formar", fala José de Souza Mateus, produtor rural.

Esse tesouro que eles desconheciam agora é bem cuidado, uma produção 100% orgânica e certificada. A equipe de reportagem da TV TEM caminhou quase 3 km até chegar ao estoraque, planta de origem africana. Logo a frente encontramos um uma espécie de capim, com pequenas flores, a priprioca. O segredo da piprioca está na raiz da planta, é aqui que estão as chamadas batatinhas. Assim que são abertas dá para sentir o cheiro delicioso. O produtor Rozemiro, não tinha noção do valor da planta. "A gente plantava ela aqui só pra fazer remédio caseiro. Punha no álcool pra passar nas crianças, pra baixar febre, pra fazer um banho caseiro, essas coisas assim que a gente usava ela", explica o produtor Rosemiro dos Reis Mateus.

Nessa relação de parceria com a indústria o povo da floresta fornece essas plantas exclusivas que vão se transformar em matéria-prima para a produção de sabonetes, óleos, cosméticos. A empresa é considerada modelo por essa relação que tem com as comunidades amazônicas. As pessoas que estavam acostumadas com a exploração de suas riquezas e não via nada em troca, hoje comemoram os resultados de uma parceria verdadeiramente sustentável.

Publicado em: 06/06/2011

Sustentabilidade: Conheça a cidade mais sustentável do mundo, que fica no Brasil

 

Sustentabilidade, esta palavra está por todas as partes e a TV Tem preparou uma série especial durante o Tem Notícias que vai explicar este assunto. Dentro dar reportagens vamos falar das iniciativas, dos projetos educacionais, das pequenas ações que ajudam o planeta.

Na primeira reportagem, o repórter Thiago Ariosi foi conhecer a cidade mais sustentável do mundo, que fica aqui mesmo, no Brasil. Ele foi até Curitiba que trabalha diariamente pensando na sustentabilidade. Já a Cristina Vieira foi ao Pará, mostrar um dos principais problemas que afetam nossas florestas: o desmatamento.

 

Infelizmente 70% dos rios brasileiros estão sendo contaminados por esgoto. Nem tudo é lixo, há muitos materiais que podem ser reciclados. A sociedade brasileira não está sensibilizada para os problemas que ocorrem com relação ao desmatamento da Amazônia.

Sustentabilidade - a palavra está por todas as parte: nos jornais, nas revistas, na televisão, na internet. Virou tema até de encontro de Rock and Roll. Mas, o que é ser sustentável?  Que atitudes podemos ter para colaborar com o planeta?  Para a ambientalista Malu Ribeiro, a explicação é bem simples. "Sustentabilidade é consumir aquilo que a gente precisa é não consumir coisas desnecessárias, é não desperdiçar, é reutilizar, é ter consciência daquilo que realmente é importante", explica a ambientalista.

Então, pensar sustentável é pensar com equlíbrio, é ser ecologicamente correto, socialmente justo, culturalmente diverso e economicamente viável.  Mas, quando é que nós brasileiros começamos de fato a pensar neste tema.

O Brasil do início dos anos 90 era um país que olhava para o futuro, com aspirações de crescimento. Por todo lado grandes canteiros de obras, estradas sendo abertas, indústrias inauguradas. No entanto não existia  a consciência de que era preciso cuidar do meio ambiente. Indústrias poluindo rios, desmatamento crescente, falta de leis de preservação.

Por isso a ECO 92, a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro foi um marco. Foi então que começou a se falar em desenvolvimento aliado a preservação ambiental. Ganhou força a ideia de "sustentabilidade".
 
A conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente foi realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992. O evento reuniu chefes de estado, organizações não governamentais, estudantes. O principal resultado deste encontro foi o documento batizado de “Agenda 21”."Esse é o lema que foi difundido no mundo desde a Eco 92. É agir globalmente por um desenvolvimento global", comenta Malu Ribeiro.

O planeta todos os dias dá sinais de que precisa da nossa ajuda. As mudanças climáticas provocam catástrofes naturais, afetam o ar que respiramos, a água que bebemos. A ONU - Organização das Nações Unidas alerta: 1 bilhão de pessoas não tem água para beber.

No Brasil um dos problemas mais graves é a destruição das florestas, por isso, a TV Tem foi até o Pará, um dos estados que mais desmatam. O Pará junto com outros 8 estados brasileiros compõe a chamada Amazônia Legal. Esses estados pertencem a bacia amazônica e consequentemente possuem em seu território áreas de floresta. São 5,2 milhões km².

Na Embrapa de Belém a equipe de reportagem encontrou Raimundo Nonato Brabo, ele acaba de lançar o livro “Amazônia do verde ao cinza”, que levanta uma questão importante sobre o desmatamento: De quem é a culpa? "Nós tentamos desmistificar os bodes espiatórios, não são só os madereiros, nem tão pouco os pecuaristas, nem tão pouco os agricultores familiares é todo um conjunto de práticas que ao longo dos últimos 50 anos foram impostos a região amazônica", declara o pesquisador.

De fato o problema começou há muito tempo. A abertura da estrada Belém-Brasília em 1958 pelo presidente Juscelino Kubitschek impulsionou a ocupação da Amazônia. Não houve preocupação em preservar a floresta e a exploração descontrolada da madeira deixou marcas. "Amazônia é responsável pela produçao de chuva do país, grande parte da chuva do sul e sudeste é produzida na floresta. Esgotamento dessa floresta significa alterar esse regime hédrico", projeta o ambientalista Paulo Amaral.

Antigamente não se tinha esse conhecimento, as pessoas não sabiam a real importância das florestas. Desmatar era um ato comum. "Nos viemos pra desmatar, esse era o propósito, o erro foi não conhecer e não tinhamos conhecimento disso", explica Mauro Lúcio de Castro Costa, pesquisador do Imazon. O Pará também tem bons exemplos, mas antes de falar deles, vamos a outra extremidade do país. Seguimos viagem para o Sul. O Brasil é tão grande e tão diverso, que aqui mesmo, em território verde e amarelo, encontramos a cidade mais sustentável do mundo!

Muito verde, ao todo são 77 mil m² de árvores dentro de uma cidade. Curitiba, a capital do Paraná tem o meio ambiente como coisa séria. São 27 parques e áreas de lazer e um dos lugares mais frequentados é o Parque Barigui. "A gente vive verde também, é muito gostoso, ele interfere muito na qualidade de vida", comenta Tânia Mara Borba, assistente social.

Biocidade. Este é o nome de um projeto lançado em 2007 para a revitalizaçao da área urbana. A ideia de preservar a natureza envolve o poder público e a comunidade. O objetivo deste programa é incentivar o desenvolvimento do município sem agredir o meio ambiente. E foi com este projeto que Curitiba ganhou um dos prêmios ambientais mais importantesm, o título de cidade mais sustentável do mundo. O prêmio Global Award de Cidades Sustentáveis foi entregue no começo deste ano na Suécia.

Uma das ações que integram o projeto fica em um dos cartões postais mais visitados do país. O Jardim Botânico. O bosque de mata nativa é monitorado diariamente por biólogos. Seis pesquisas são desenvolvidas nele, entre elas o estudo das abelhas e das flores. O lugar que era aberto para visitação foi fechado em 2008 e restringir o acesso trouxe benefícios. "Nós temos algumas espécies como o mamão do mato que é uma espécie citada no livro lista vermelha de plantas ameaçadas de extinção do estado do paraná e que ela surgiu espontaneamente no nosso bosque depois que nós cercamos", explica a bióloga, Eli Moraes Cunha.

O resgate de espécies em extinção ocorre por toda a cidade. "A ideia principal é que o cidadão participe. Chamamos até de "biocidadão". Para isso nos ofertamos cursos gratuitos com o objetivo da convervação ambiental. Nós quereremos a populaçao como parceira", explica a agrônoma Érika Mielke.

Ser sustentável também é aprender a valorizar os detalhes, no Jardim Botânico o visitante é convidado a fazer parte do passeio de olhos vendados, onde descobre pelo tato e olfato as plantas no local.

Publicado em: 06/06/2011

Repórter Cristina Vieira conta como foi sua experiência pela Amazônia

Publicado em: 04/06/2011

Confira a chamada para a nova série da TV Tem

 

Publicado em: 03/06/2011

Produtora da TV Tem fala sobre nova série 'Sustentabilidade'

 

Os problemas enfrentados nas cidades do Pará com o desmatamento, o exemplo de Curitiba com projetos sustentáveis e as ações que nós podemos fazer para ajudar a preservar o planeta são alguns dos assuntos da nova série da TV Tem: "Sustentabilidade". A produtora Laura Vieira conta como surgiu o tema e convida você para acompanhar as reportagens que serão exibidas a partir desta segunda-feira (6) nas duas edições do Tem Notícias, ao meio-dia e às 19h15. A nova série também inova com dois repórteres - Cristina Vieira e Thiago Ariosi - dividindo a mesma matéria, e até com passagens simultâneas. Quer saber mais? Não perca a série "Sustentabilidade" na TV Tem.

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