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O padrão alimentar pode interferir na quantidade e qualidade do leite materno?

Por Roberta Lara
(Atualizado em 24/08/2022 - 9h00)
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O mês de agosto, marcado pela campanha Agosto Dourado, traz uma visão ampla de como a nutrição e o padrão alimentar pode interferir na qualidade e na quantidade de leite materno produzido.

O leite materno é caracterizado por ser uma fonte de nutrição complexa, dinâmica e direcionada para o bebê durante os primeiros meses. Cada mudança de composição no leite materno reflete a influência genética, ambiente, estado de saúde da mãe, necessidades individuais de desenvolvimento da criança e inúmeros fatores adicionais, sobretudo associados ao estilo de vida. Por conta disso, muitos estudos na ciência vem trazendo abordagens a respeito da influência dos nutrientes consumidos pela mãe na qualidade do leite oferecido ao bebê, bem como alguns mecanismos de ação de certos alimentos que induzem a produção endógena do leite.

Estima-se que 12% da mortalidade em crianças menores de 5 anos é atribuída a práticas de amamentação inadequadas. Considerada um mecanismo fisiológico complexo que envolve fatores hormonais, físicos e emocionais, a lactação é uma das fases mais desafiadores na vida de uma mulher que tende a ter problemas emocionais que interferem nesse processo. A produção inadequada de leite materno está entre os principais fatores que aumentam a taxa de amamentação abaixo do ideal entre mães lactantes.

 

Você já ouviu falar em Lactogogos ou galactogogos?

Conhecidos na prática médica e nutricional, os lactogogos são substâncias que podem ser usadas para auxiliar na iniciação, manutenção ou aumento da taxa de síntese do leite materno. Eles incluem preparações farmacêuticas e à base de plantas ou alimentos.

Segundo a  Organização Mundial da Saúde, o seu uso para estimular o aumento da lactação em circunstâncias deve ser feito em momentos excepcionalmente difíceis, uma vez que os estudos na literatura cientifica ainda são limitados, principalmente no que se diz respeito ao uso de especiarias e alimentos com esse benefício.

Um estudo transversal em 2018 envolvendo 402 mães africanas lactantes avaliou o uso de lactogogos e práticas de alimentação como forma de ajudar no estímulo da produção de leite. A prevalência de uso de lactogogos foi de 83,8%, incluindo folhas de Hibiscus sabdariffa, chá preto quente e folhas de Citrulus colocynthis preparado com folhas de hibisco. Outros alimentos já foram associados a esse efeito de galactogogo como a semente de feno grego e semente de erva-doce.

 

O padrão alimentar também pode melhorar a qualidade do leite materno

A escolha de alimentos na rotina das lactantes faz a diferença na qualidade do leite materno. Um estudo publicado em 2020, com 220 mulheres lactantes em Changsha, uma cidade do centro-sul da China, mostrou através de um método recordatório de 24 horas em três dias consecutivos que um alto consumo de carne vermelha, cereais e ovos foi associado a maiores teores de proteína, matéria seca total e energia no leite materno, afirmando que os padrões alimentares podem afetar a composição de macronutrientes do leite materno e fornecer uma base para a saúde infantil. O mesmo acontece com o consumo maior de gordura, que também deve ser priorizada para aumentar os níveis de ácidos graxos essenciais no leite.

 

Fontes:

 

Ali Z, Bukari M, Mwinisonaam A, Abdul-Rahaman AL, Abizari AR. Special foods and local herbs used to enhance breastmilk production in Ghana: rate of use and beliefs of efficacy. Int Breastfeed J. 2020 Nov 16;15(1):96. doi: 10.1186/s13006-020-00339-z. PMID: 33198765; PMCID: PMC7670774.

Huang Z, Hu YM. Dietary patterns and their association with breast milk macronutrient composition among lactating women. Int Breastfeed J. 2020 Jun 5;15(1):52. doi: 10.1186/s13006-020-00293-w. PMID: 32503555; PMCID: PMC7273657.

 

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