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Aprender ballet depois de adulto? Dá, sim!

Por Mariana Dias
(Atualizado em 04/07/2022 - 12h25)
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Sempre amei dançar. Fiz aulas de jazz quando era criança, mas nunca quis fazer ballet. Apesar de lindo, eu achava entediante e delicado demais pra mim.

Conforme fui amadurecendo, comecei a me interessar pelo ballet, só que pensava ser impossível para alguém que nunca praticou na infância iniciar na vida adulta. Felizmente me enganei. Aos 25 anos eu fui fazer uma aula experimental de ballet. Na primeira aula eu fiquei muito perdida, são muitos nomes novos, exercícios aos quais eu não estava habituada, mas ainda assim, saí apaixonada, o que me fez continuar por vários anos.

O ballet é um exercício físico bastante intenso. Ajuda a fortalecer todo o corpo, melhorar a flexibilidade, a postura, e além disso trabalha a coordenação motora. Sempre soube que o ballet seria desafiador fisicamente, mas confesso que não esperava que seria tão desafiador mentalmente também. Decorar todas as sequências de movimentos com as inúmeras exigências físicas que o ballet solicita é bem difícil. Eu saía das aulas exausta de tanto pensar e prestar atenção rs.

Todo esse trabalho mental melhora a nossa memória e concentração, o que é muito legal, pois os benefícios vão muito além de serem apenas físicos.

Para quem, como eu, decidir começar já adulta, precisa ter bastante paciência e persistência. O trabalho no ballet deve ser construído aos poucos, pois são muitos detalhes e é necessária muita consciência corporal. O fato de eu já ter praticado atividades físicas durante toda a vida me ajudou, mas o ballet é bem específico em seus exercícios e é necessário muito treino para poder evoluir.

Não deixe a dificuldade te desanimar, dance conforme seu nível que a evolução virá naturalmente. Quando começamos adultas não podemos ter aquele nível de cobrança exigido das crianças que esperam tornar-se bailarinos profissionais. A ideia é fazer algo que se ame, praticar uma atividade física e se divertir, sem tanta pressão.

Dentre várias coisas que colaboraram para mim, encontrar uma turma específica de pessoas adultas foi essencial. Comecei fazendo aulas com alguns ex-alunos de ballet que estavam há anos sem praticar e me senti bem confortável com isso. Faz bastante diferença para não ficar deslocada nas aulas.

Outro ponto que achei importante é tentar se vestir como uma bailarina. Claro que se você ainda está começando e não sabe se vai continuar nas aulas, não é um investimento necessário. Mas assim que decidir praticar, se possível, tente não ir a aula com qualquer roupa de ginástica. Algumas escolas até não permitem isso. Parece um ponto insignificante, mas o fato de você usar collant, meia calça, sapatilha e prender o cabelo em um coque te fazem sentir como uma bailarina e pertencente a esse mundo. Além disso, a roupa ajuda na realização dos exercícios pois não impedem os movimentos e o cabelo não atrapalha caindo em seu rosto toda hora.

Mesmo começando adulta, com um tempo de prática e bastante dedicação é possível usar sapatilhas de ponta. Para isso é necessário um preparo muscular das pernas, panturrilhas e pés e muita consciência corporal, afinal todo o peso do corpo ficará em cima dos dedos do pé. Se o preparo para as pontas não for realizado de forma correta, poderá ser bastante prejudicial para a bailarina. O segredo é não ter pressa, frequentar as aulas, realizar os exercícios, que com o tempo e dedicação as pontas chegarão.

E fora isso, lembra-se sempre de se divertir e se entregar. O ballet é um exercício muito completo, mas é principalmente arte. Então, para quem quer começar, aproveite as aulas, dedique-se aos exercícios e sempre dance com amor.