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Fisiculturismo: comprometimento e dedicação em nível máximo

Por Mariana Dias
(Atualizado em 24/06/2022 - 13h29)
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Frequento academias de musculação há muitos anos. Nas academias por onde passei sempre vi fisiculturistas treinando e admirava muito essa prática, que exige um nível absurdo de comprometimento e dedicação. O fisiculturismo busca o desenvolvimento dos músculos corporais a partir do aumento no volume da massa muscular, ou seja, a hipertrofia muscular.

Ele ainda não é considerado um esporte, mas está incluso no Pan-Americano e nos Jogos Asiáticos e existem muitos campeonatos amadores.

São várias categorias específicas para cada tipo de fisiculturista, tanto nos campeonatos masculinos quanto nos femininos, que variam de acordo com as faixas etárias, limites de peso e altura.

Para estar apto a competir em determinada categoria, os competidores devem se enquadrar em grupos similares nestes requisitos. As categorias dos campeonatos são definidas pela Internacional Federation of Bodybuilding and Fitness – IFBB.

Karina Toshie (ao centro) é fisiculturista

Para falar mais sobre o assunto, convidei a Karina Toshie, que é professora de educação física e praticante de fisiculturismo. A Karina sempre foi ligada em atividades físicas, começou no ballet com 2 anos e ainda criança praticou judô, jazz e street dance. Durante a adolescência conheceu o circo e a ginástica rítmica, e nessa modalidade participou de campeonatos internos, jogos regionais e abertos. Também nessa época teve seu primeiro contato com a musculação, mas participava mais das aulas de aeróbicos que aconteciam na academia.

Quando começou a cursar educação física, ela passou a praticar musculação de forma mais séria e regularmente e também abriu sua escola de circo e começou a dar aulas. Desde que iniciou a prática circense ela passou a admirar mulheres fisicamente fortes e se sentia muito inspirada por suas professoras. A semente do fisiculturismo foi plantada aí!

Ela e o marido já sentiam vontade de competir, mas não tinham a estrutura necessária, tempo e dinheiro para se dedicar a esse projeto. Acompanhavam pelas mídias o fisiculturismo, mas quando a Karina era questionada sobre participar de um campeonato ela pensava que aquilo não era pra ela, achava que não tinha o biotipo ideal.

Fisiculturismo exige dedicação e foco constantes

Quando eles terminaram a faculdade, ficaram dois anos se mantendo em dieta e treinos sem regressão e sentiram que todo aquele esforço não poderia ser em vão. Decidiram ,então, que juntos iniciariam a preparação para participar de um campeonato.

A preparação leva geralmente em torno de 12 semanas. Essa fase é chamada de cutting, onde os atletas precisam abaixar ao máximo o percentual de gordura. Nos meses que antecedem o campeonato a dieta fica bastante restrita e os treinos de exercícios aeróbicos são intensificados.

Na preparação da Karina, ela faz o treino de musculação e geralmente mais dois aeróbicos no dia (em torno de 40 minutos cada), todos os dias, de segunda a segunda.

Na semana que antecede o campeonato, a qual eles chamam de finalização, são realizadas manobras para desidratação corporal e também a preparação da pele para receber a tinta que será aplicada no dia da disputa. Um dia antes eles fazem o que chamam de carb up, que é um aumento significativo de alimentos, devidamente calculado para gerar o resultado esperado no palco.

Todas essas estratégias são pensadas para o atleta estar em sua melhor versão no dia do campeonato, que é o único dia em o que o atleta estará definitivamente pronto. O físico que é apresentado no palco foi preparado durante meses apenas para aquele momento.

Passado o campeonato eles tiram uma semana para realizar uma dieta mais livre, em comemoração. E para recuperar o corpo de todo o desgaste da preparação, é recomendado diminuir a intensidade dos treinos. Essa fase é chamada de off season, quando eles buscam ganhar massa muscular e fazer os ajustes para evoluir nos pontos necessários dentro da sua categoria. Nesse período os exercícios aeróbicos são reduzidos e intensificam-se os treinos de musculação, com uma ingestão maior de alimentos.

O maior desafio para eles é alinhar a preparação com a vida normal. E também a estrutura financeira, pois o investimento é muito alto. Fora isso, ela, como mulher, ainda precisa lidar com o assédio e o julgamento, pela exposição do corpo que faz parte da modalidade.

É realmente impressionante e desafiador o processo de levar o corpo ao limite que os fisiculturistas passam para exibir o físico ideal. Muito bom conhecer mais sobre essa pratica que ainda não é tão conhecida em nosso país.