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Juros, risco fiscal e a cotação do dólar

Por Reinaldo Cafeo
(Atualizado em 07/07/2022 - 13h30)
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Prever o comportamento da cotação do dólar no Brasil é um exercício de futurologia e derruba muitos economistas.

O país pratica o chamado câmbio flexível ou flutuante, ou seja, em tese a cotação da moeda estrangeira é definida pela oferta e procura por divisas. Coloco em tese porque o Banco Central pode intervir no câmbio quando houver algum desarranjo, ou seja, quando ocorrerem fortes oscilações, é a denominada flutuação suja (dirty float). Neste particular a Autoridade Monetária pode, por exemplo, vender ou comprar dólar no mercado a vista (em espécie), operar em swaps cambiais ou no mercado a termo. Sempre visando manter a cotação da moeda estrangeira mais comportada possível.

Ao longo deste ano, dentro desta lógica, a cotação do dólar comercial de venda oscilou entre R$ 4,84 e R$ 5,98, o que não é pouca coisa.

Agora vem a leitura de quais variáveis podem interferir no mercado cambial brasileiro. Neste particular há variáveis previsíveis e as imprevisíveis. Dentro da previsibilidade uma variável que mexe diretamente com a cotação do dólar é a taxa de juros. Caso não houvesse aumento da taxa de juros em outras economias, notadamente nos Estados Unidos, e somente no Brasil, haveria uma tendência de entrada do capital estrangeiro em busca da rentabilidade oferecida, em especial na renda fixa, e a cotação do dólar cairia. Ocorre que os investidores ficam de olho no diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo. Como lá os juros estão em alta e subindo, proporcionalmente, mais do que aqui, o movimento pode ser contrário.

Outra variável a ser considerada é a questão fiscal. Toda vez que houver no horizonte o chamado risco fiscal, o mercado irá precificar no dólar. Vamos dar exemplos: Lula indica fim do teto de gastos caso seja eleito, se estiver bem-posicionado nas pesquisas, os investidores procurarão se proteger em moeda estrangeira, cotação deve subir. Bolsonaro quer subsidiar os caminhoneiros, os combustíveis e elevar o valor do Auxílio Brasil, tudo isso sem cortar gastos, podendo comprometer o orçamento da União, pronto, dólar em alta.

Assim, o fator eleições presidenciais mexe e mexerá no câmbio toda vez que o modelo econômico brasileiro for imprevisível e principalmente se os programas de governo daqueles que têm chances de eleger, não sinalizarem com rigor fiscal.

Um fator que pode ainda trazer oscilação no dólar é a renda variável. Uma bolsa “barata” atrai o capital estrangeiro, podendo reduzir a cotação do dólar.

O investimento direto é outra variável que pode mexer no câmbio. Estamos falando de investimento externo na produção, na compra de empresas brasileiras. Para tanto é preciso criar um ambiente de negócios previsível e ter segurança jurídica, o que cá entre nós, está longe de ser verdade. Nesta mesma linha saldos positivos na balança comercial brasileira trazem alívio no câmbio.

Já as variáveis imprevisíveis ficam por conta dos conflitos geopolíticos, desempenho de economias como a China, a americana, da Europa, entre outras. No caso da China crescer mais ou menos traz enorme impacto na balança comercial brasileira.

Em resumo: com inflação ainda alta, tanto aqui no Brasil como em outros países, principalmente nos Estados Unidos, com a necessidade de elevar a taxa de juros para combater a alta de preços, com o conflito entre Rússia e Ucrânia se estendendo além do esperado e em um ano de eleições polarizadas no Brasil, a única certeza que temos em relação a taxa de câmbio é: volatidade, isto é, fortes oscilações, sem estabelecer tendência.

Pretende comprar moeda estrangeira? Aproveite as baixas e faça movimentos pontuais, garantindo um preço médio vantajoso.