Região:

min

max

Anuncie aqui

Tudo virou TV

Avanços tecnológicos modificaram o comportamento dos consumidores e criaram uma jornada de compra online, inclusive para compras presenciais

Por Victor Trujillo
(Atualizado em 23/05/2022 - 10h22)
Compartilhar

Nesta semana vamos falar sobre as decisões de mídia, assunto que sempre rende alguma polêmica entre anunciantes e agências. A seleção dos meios (mídias) e, depois, a escolha dos veículos (empresas de comunicação) passou a ser mais complexa do que costumava ser. Porque nossas vidas também se tornaram mais complexas. Vejamos que os avanços tecnológicos modificaram o comportamento dos consumidores e criaram uma jornada de compra online, inclusive para compras presenciais.

 

A jornada de compra do consumidor

Se nos anos noventa a marca Heliar podia investir apenas em material promocional nas lojas de baterias, hoje precisa de presença online em todas as fases da jornada de compra do consumidor: ao virar a chave de ignição e ouvir “tec tec tec” (aquele som típico quando motor de arranque não tem energia suficiente para girar e ligar o motor do carro), o consumidor pega o smartphone e pergunta para a Alexa, Siri ou Assistente do Google algo parecido como “o carro não deu partida”. E tem início a sua jornada de compra justamente na fase de “Aprendizado e Descoberta”.

Nesta fase o consumidor busca informações sobre a sua necessidade e ainda não busca marcas ou produtos. Na próxima etapa (Consideração da Solução) o consumidor já estará ciente da sua necessidade e começará a buscar as opções disponíveis para solucioná-la e, inclusive, prestará a atenção nas marcas.

Na terceira etapa (Decisão de Compra) finalmente o consumidor vai comparar atributos, benefícios em vai criar o seu modelo mental de decisão.

Pode ocorrer de o consumidor percorrer toda a jornada de compra sem visitar uma loja de baterias sequer. E não é raro o consumidor comparecer a uma loja com a decisão sobre qual marca, qual modelo e qual preço já tomada. Fenômeno comum conhecido como ROPO (Research Online Purchase Offline).

 

Vem aí a Netflix com propaganda

O custo de vida está subindo no mundo inteiro. A guerra de Putin contra a resiliente Ucrânia parece piorar um cenário global que já estava impactado pela pandemia de COVID-19 e suas (sabe-se lá quantas) mutações. No primeiro quarter deste ano a Netflix pela primeira vez não cresceu seu número de assinantes. Longe disso, perdeu 200 mil assinantes (nível global) e seus executivos sinalizam que não ficarão surpresos se a evasão de assinantes se acentuar nos próximos quarters.

Em momentos difíceis, os consumidores começam a buscar maneiras de cortar despesas. Daí os executivos da Netflix já sinalizarem que estão cogitando oferecer planos mais baratos financiados por anúncios já no próximo ano. Sim, vem aí a Netflix com propaganda.

 

Tudo virou TV

Aos olhos dos consumidores, tudo virou TV. Eles passam horas nas mídias sociais consumindo vídeos. Nos portais de notícias online eles querem assistir aos vídeos. Nos sites de culinárias querem ver o vídeo com o preparo. As Lives ao vivo também são consumidas de forma assíncrona após suas exibições. Até a TV ao vivo também é consumida por streaming.

No Brasil, a TV aberta, tradicionalmente guiada pela audiência minuto a minuto e ligada umbilicalmente às preferências do seu público, cresceu em audiência durante o pico da pandemia e manteve a sua relevância na agenda nacional.

 

A força da Globoplay

O streaming do plim plim nunca faturou tanto (aumento de 74% na receita líquida em 2021) e cresce de forma consistente (crescimento de 33% da base de assinantes). A curadoria do conteúdo segue o conhecimento profundo sobre o que o brasileiro gosta de ver na TV.

 

O mantra para os investimentos em comunicação

Se o consumidor acha que tudo é TV (e nós que o consumidor é tudo) significa que os investimentos em mídia refletirão a verdade do comportamento do consumidor. Dito de outra forma: concentre-se em todo o cenário de vídeo, independe do meio. Afinal, o consumidor pensa em conteúdo em primeiro lugar.

Uma boa ideia é criar planos de mídia holísticos e bem amplos. Deixe o consumidor decidir (porque ele vai mesmo) qual conteúdo é relevante pra ele.

E em meio a tantas inovações, jamais subestime a TV ao vivo porque ela conhece o público bem de pertinho. E tem se transformado para alcançar o consumidor onde e como ele quiser.

E você, migraria a sua assinatura Netflix para uma versão mais barata, suportada por anúncios de publicidade? Boa semana 20 pra vc!