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A cura do HIV: falácia ou realidade?

Por Naihma Fontana
(Atualizado em 09/09/2022 - 13h01)
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Especialistas do University College London e Imperial College London trataram um paciente portador de HIV e linfoma de Hodgkin em 2016 usando transplantes de células-tronco de um doador que carregava uma mutação genética rara. Pesquisadores relatam que o HIV se manteve indetectável no homem sem os medicamentos antirretrovirais (TARV) por 18 meses.

Os transplantes de células-tronco são procedimentos altamente complexos, intensivos e caros, com efeitos colaterais substanciais, e não são uma maneira viável de tratar um grande número de pessoas que vivem com o HIV.

No entanto, os resultados oferecem um maior conhecimento para os pesquisadores que trabalham com estratégias de cura do HIV e destacam a importância contínua de investir em pesquisa científica e inovação.

O resultado, divulgado na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI, na sigla em inglês), em Seattle, Estados Unidos, é um dos dois únicos casos de cura funcional para o HIV já registrados. O primeiro foi o caso do paciente de Berlim, Timothy Ray Brown, que recebeu tratamento semelhante para câncer em 2007.

Quais os desafios?

Atualmente não há cura para o HIV. Existem três barreiras que impedem a cura do vírus com as armas atualmente disponíveis:

  • os denominados reservatórios celulares latentes
  • a replicação persistente do HIV, apesar do tratamento antirretroviral (TARV) adequado
  • o alojamento do vírus em reservatórios anatômicos

Uma medida eficaz que traga a erradicação deve contemplar a eliminação destes três obstáculos; ademais, a incapacidade do sistema imune para reconhecer e eliminar as células infectadas pelo HIV é um obstáculo adicional.

Vários estudos atuais mostram que a erradicação do HIV no sangue é possível, porém, a manutenção de vírus latentes em reservatórios onde o TARV não consegue chegar é o maior desafio atual.

Um reservatório importante e independente, por exemplo, é o cérebro (sistema nervoso central).

Para onde vamos?

Em um paciente HIV positivo sem tratamento, a cura clínica se define como a ausência de replicação viral por um período de tempo, ou seja, o controle da replicação viral pelo sistema imune.

Ela é bem documentada nos controladores de elite, como visto no caso da paciente do Mississipi e nos pacientes de Boston.

Os “pacientes de Boston” apresentaram cura clínica (indetectabilidade do vírus no sangue) após receberem transplante de medula óssea de doadores contendo uma mutação no co-receptor CCR5, um tipo de ‘portão’ que permite ao HIV penetrar nas células T CD4.

No entanto, recentes relatos deste e de outros mostraram retorno da presença do vírus no soro, sendo que a erradicação do HIV, definida como a eliminação completa de todos os vírus do organismo, é um objetivo menos viável atualmente.

Encontrar uma cura definitiva para o HIV é claramente o maior sonho, e a ciência está caminhando neste sentido.

Ainda há muito estudo e trabalho pela frente, porém, os recentes achados demonstram a absoluta importância de continuar a concentrar os esforços na prevenção e no tratamento do HIV.

Não deixe para amanhã: faça seu teste de HIV hoje! O diagnóstico precoce é a melhor forma de garantia de uma vida longa e saudável.