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Bactérias Multirresistentes ou Superbactérias

Mais da metade da nossa carga genética é composta por bactérias que permanecem em simbiose com as nossas células

Por Naihma Fontana
(Atualizado em 03/06/2022 - 13h13)
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Não estamos sozinhos. E, quando digo isso, não me refiro a extraterrestres, e sim ao nosso próprio corpo.

Mais da metade da nossa carga genética é composta de genes não humanos. Tais genes são de bactérias que permanecem em simbiose com as nossas células, o que é definido como colonização.

colonização bacteriana refere-se à presença de bactérias em um determinado local do organismo sem provocar resposta ativa do hospedeiro à sua presença. A maior concentração desses microrganismos se encontra no intestino. Porém, também estão presentes na boca, pele, esôfago, estômago, mucosas e órgãos genitais.

As funções da flora bacteriana consistem em digestão e absorção de nutrientes, auxílio na imunidade, geração de energia, síntese de vitaminas, produção de hormônios, armazenamento de gorduras e prevenção de quadros alérgicos.

As colônias bacterianas nunca são homogêneas; consistem em cepas com diferentes níveis de sensibilidade aos antibióticos existentes.

Quando iniciamos um antibiótico, temos alteração e eliminação de milhares de bactérias intestinais já com 24h de tratamento. Após um período sendo submetido a diversos esquemas antimicrobianos, as bactérias mais resistentes sobrevivem e se multiplicam. E, a partir daí, temos o surgimento das bactérias multirresistentes.

Antibióticos eliminam bactérias nocivas à saúde, mas também podem deixá-las mais resistentes

 

Os genes de resistência podem ser induzidos ou adquiridos. Os induzidos são aqueles presentes no DNA cromossômico bacteriano. Os adquiridos são aqueles presentes no DNA plasmidial ou extracromossômico, que é passível de ser compartilhado entre duas bactérias, quando estão próximas.

Como bactérias não têm potencial de voar ou pular entre um paciente e outro, o principal meio de elas se encontrarem e trocarem os genes de resistência é através de mãos contaminadas e do compartilhamento de materiais contaminados.

Dentre tais microrganismos, destacam-se as enterobactérias que são resistentes à vancomicina (Vancomycin-resistant Enterococcus-VRE) e aos carbapenêmicos (Enterobacteriaceae produtoras da enzima Klebsiella pneumoniae carbapenemase – KPC). As espécies mais identificadas são Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis (Gram positivos), Klebsiella pneumoniae, Enterobacter spp, Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumanii, Proteus spp, Serratia spp (Gram negativos), entre outros.

São facilmente transmissíveis e potenciais agentes de infecções graves de etiologia hospitalar

A identificação da colonização é feita por meio de culturas de vigilância (“swabs” da região nasal, axilar, inguinal e perianal) na admissão do paciente e de forma periódica (a cada 15 dias, por exemplo), a critério da instituição.

Toda colonização precisa ser tratada?

Não. Estar colonizado por uma bactéria multirresistente não significa estar infectado.

Isso é uma confusão muito comum e que gera muita angústia nos acompanhantes e familiares do paciente em precaução de contato por uma bactéria multirresistente. Quando somente isolado nas culturas de vigilância, não é necessário tratamento antimicrobiano, e o isolamento ou precaução (que inclui uso de luvas e avental) é instituído somente para evitar a transmissão intra-hospitalar daquele agente colonizante. O tratamento somente pode ser necessário se a bactéria é isolada em uma amostra clínica (sangue, secreção pulmonar, urina, liquor, líquido abdominal, etc)

E essa colonização multirresistente, quando surge, é para sempre?

Não. Após a finalização dos antibióticos, e ida do paciente para seu domicílio, a flora bacteriana retoma a sua diversificação inicial, retornando aos seus padrões de sensibilidade usuais. Isso pode demorar algumas semanas ou até meses para algumas bactérias.

Ficou com alguma dúvida? Manda para o Instagram: @dranaihmafontana