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Depressão: vamos entender

Transtorno é apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a maior causa de incapacitação entre as doenças

Por *Thiago Salum Fontana
(Atualizado em 12/07/2022 - 10h58)
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A Depressão é um transtorno psiquiátrico muito frequente, chegando a atingir 18% da população ao longo da vida, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho no mundo.

Depressão é apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a maior causa de incapacitação entre as doenças, responsável por 9,8% dos anos de vida saudáveis perdidos (cerca de 7 anos de vida perdidos, em média).

Ela se comporta como uma Doença, com impacto significativo na saúde mental e corporal. Já é considerada um transtorno cognitivo temporário, pois afeta a forma como encaramos e entendemos o mundo ao redor. Traz diversos prejuízos ao equilíbrio corporal, o que inclui o cérebro.

Ainda há muitas lacunas no entendimento total da doença, mas já é fato que há um desbalanço químico cerebral, o que demanda uso de medicamentos para levar à estabilização, além das diversas técnicas de psicoterapia e atividades de vida diária, que, juntamente, contribuem para restabelecer o equilíbrio dos circuitos cerebrais envolvidos na patologia.

Os principais sintomas são:

  • alteração de humor (principalmente tristeza);
  • irritabilidade; desesperança;
  • culpa;
  • baixa autoestima;
  • falta de energia;
  • perda de prazer por coisas que antes gostava;
  • alteração de apetite e de sono.

Pode haver ainda presença de sintomas físicos, que vão desde dores no corpo até desequilíbrio do ritmo intestinal. O quadro traz impacto na vida diária, com queda do rendimento e menor disposição para atividades em geral.

Vale salientar que Depressão é diferente de tristeza, que é uma emoção normal relacionada a situações de perdas, frustrações, desapontamentos, fracassos, dificuldades financeiras ou dúvidas existenciais.

Uma pessoa triste pode mudar ou melhorar quando o motivo da tristeza se desfaz ou quando um estímulo positivo a anima, mesmo que temporariamente. Já a pessoa com depressão tem muito mais dificuldade de “reagir” aos eventos positivos, mantendo-se desesperançosa e negativa, independente dos estímulos externos.

Tratamento

O tratamento farmacológico consiste no uso de medicações que aumentem alguns neurotransmissores, principalmente a serotonina, noradrenalina e a dopamina.

Essas medicações devem ser bem escolhidas, de acordo com o padrão de sintomas do paciente e serem mantidas pelo tempo necessário para que os sintomas não retornem. É fundamental que o paciente durma bem, mesmo que para isso, pelo menos inicialmente, use algum indutor de sono ou sedativo.

A psicoterapia é uma peça importante no tratamento, pois pode auxiliar o paciente a encontrar o sentido dessa depressão em sua história e vida atual, possibilitando compor, junto ao terapeuta, entendimentos que propulsionam as mudanças necessárias para a melhora do quadro.

O tratamento não farmacológico também consiste em hábitos saudáveis de vida, como fazer exercícios físicos (lembrando que não é preciso forçar o paciente, pois inicialmente os sintomas afetam o ânimo e a energia), melhora da qualidade da alimentação, evitar uso de álcool e outras drogas, meditação, atividades de lazer e relaxamento.

Infelizmente, ainda há muita desinformação e preconceitos, que impedem que muitas pessoas cheguem a um tratamento adequado da patologia, além de uma enormidade de falsas promessas de melhora rápida dos sintomas.

Depressão é um assunto sério e precisa de uma terapêutica específica e adequada.

O tratamento, quando bem conduzido, consegue trazer alívio dos sintomas e retorno à funcionalidade plena do indivíduo. Não deixe de buscar ajuda ou de levar um familiar nessa condição para um tratamento especializado.

 

*Texto de autoria de Dr. Thiago Salum Fontana – Médico Psiquiatra
CRM 145.751

RQE 62.390

Instagram: @drthiagofontana
YouTube: “Nosso Mundo Psi”