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Hepatite misteriosa em crianças acende alerta

OMS divulgou que já contabiliza 429 casos pelo mundo. No Brasil, 47 estão em investigação

Por Naihma Fontana
(Atualizado em 20/05/2022 - 17h23)
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Na última quinta-feira (19), a OMS divulgou que há registros de 429 casos de hepatite grave (fulminante) em crianças de etiologia desconhecida registrados no Reino Unido, na Irlanda e na Espanha. Destes, 26 pacientes precisaram de transplante e houve seis mortes.

No Brasil, 47 casos suspeitos estão em investigação, já havendo um óbito. A hipótese mais provável é de que a hepatite misteriosa esteja relacionada ao adenovírus (há 70% de positividade), e já descartou-se a relação com o vírus SARS CoV2 ou a sua vacina (18% positividade para COVID, sendo nenhuma criança vacinada). O que intriga é o fato de infecções por adenovírus, serem leves com sintomas frustros de vias aéreas e gastrointestinais, não tendo a hepatite fulminante como uma complicação relatada até então.

A hepatite fulminante é uma síndrome rara e rápida (em geral, dentro de dias ou semanas), caracterizada por necrose maciça do parênquima hepático e diminuição do seu volume. Essa condição invariavelmente necessita de transplante imediato.

A hepatite é uma inflamação do fígado. Ela pode ter diversas causas, desde medicamentosa, por infiltração gordurosa (esteato-hepatite não alcóolica, ou `NASH` em inglês), auto-imune e infecciosa. Dentre as causas infecciosas, os vírus da hepatite são os principais.

Existem cinco cepas principais do vírus da hepatite, referidas como tipos A, B, C, D e E.

Os vírus A e E são transmissíveis através de alimentos e água contaminadas (fecal-oral) e, geralmente, deflagram doenças benignas e auto-limitadas.

Os vírus B e C são transmitidos por meio de sangue (transfusões), por meio de materiais pérfuro-cortantes contaminados (alicates, giletes, bisturis, agulhas, etc), por compartilhamento de escovas de dente, copos, talheres (transmissão intradomiciliar) e de forma congênita (da mãe para o filho durante a gestação). A hepatite B também é transmitida por via sexual, hoje em dia sua principal via de transmissão.

Em particular, os tipos B e C levam a doenças crônicas em centenas de milhões de pessoas e juntos são a causa mais comum de cirrose hepática, câncer de fígado, transplante hepático e mortes relacionadas à hepatite viral. Estima-se que 354 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com hepatite B ou C e, para a maioria, os testes e o tratamento permanecem fora de alcance.

As hepatites A e B são preveníveis por meio de vacinação, porém, no mundo, até 2030, cerca de 4,5 milhões de mortes evitáveis irão ocorrer devido falta de acesso a vacinação, testes de diagnóstico, medicamentos e campanhas educativas. A estratégia global de hepatite da OMS, endossada por todos os Estados Membros da OMS, visa reduzir as novas infecções por hepatite em 90% e as mortes em 65% entre até 2030.