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Tempo entre Covid-19 e uma cirurgia eletiva!? Qual o ideal?

Por Naihma Fontana
(Atualizado em 14/09/2022 - 12h42)
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A partir de agora, um cenário cada vez mais comum será aquele indivíduo com necessidade de qualquer cirurgia, frente a um Covid-19 recente. Países em desenvolvimento estão mais propensos a terem limitado acesso a vacinação até 2023, tornando um desafio a definição do tempo pré-operatório, entre a infecção e a cirurgia.

Um estudo prospectivo com cirurgias oncológicas (122 pacientes) mostrou redução de mortalidade quando a cirurgia foi realizada após 4 semanas do RT-PCR positivo SARS-CoV-2. Outro estudo brasileiro (49 pacientes) com cirurgias eletivas em pacientes assintomáticos com RT-PCR SARS CoV-2 positivo mostrou mortalidade equivalente deste grupo em relação a pacientes sem infecção prévia quando a cirurgia foi realizada após um resultado RT-PCR negativo nos infectados.

Em fevereiro de 2021, um estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado (nível de evidência 1) realizado em 116 países, envolvendo 140.231 pacientes submetidos a cirurgias eletivas e emergenciais, nos respondeu essa pergunta de forma brilhante.

Dentre os pacientes com infecção, aqueles operados com intervalo de 2 semanas do diagnóstico tiveram mortalidade de 4,06%. Entre 3-4 semanas, 3,86%; entre 5-6 semanas, 3,59%; e > ou igual a 7 semanas, mortalidade 1,49%, taxa semelhante aos NÃO infectados (1,5%).

 

Os dados foram analisados somente em pacientes submetidos a cirurgias eletivas (excluindo cirurgias de emergência), e as mortalidades foram semelhantes.

Este estudo descobriu que os pacientes operados dentro de 6 semanas do diagnóstico de SARS-CoV-2 tinham um risco aumentado de mortalidade e complicações pulmonares em 30 dias.

Esses riscos diminuíram para o basal em pacientes submetidos à cirurgia ≥ 7 semanas após o diagnóstico de SARS-CoV-2. Essas descobertas foram consistentes tanto nos pacientes de baixo risco (idade <70 anos, estado físico ASA 1-2, pequena cirurgia) como de alto risco (idade ≥ 70 anos, ASA 3-5, grande cirurgia). Portanto, a cirurgia deve ser adiada por pelo menos 7 semanas após a Infecção por SARS-CoV-2.

Além disso, pacientes com infecção assintomática prévia tem menor risco em relação aos sintomáticos:

  • A mortalidade 0-2 semanas em pacientes com sintomas resolvidos foi de 6,93%, em comparação a 14,88% nos pacientes ainda sintomáticos operados nas primeiras 2 semanas.
  • Mesmo após 7 semanas, os pacientes ainda sintomáticos tiveram uma mortalidade de 5,96%, maior que os assintomáticos (1,49%).
  • As complicações pulmonares também são maiores nos sintomáticos em relação aos assintomáticos, mesmo após 7 semanas do diagnóstico (13,12% versus 2,04%).

 

Assim, os pacientes sintomáticos podem se beneficiar de um atraso adicional, além de 7 semanas, na realização da cirurgia, de forma que seus sintomas desapareçam.

 

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