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iFood e o subsídio de motos elétricas para 'limpar a barra' com entregadores

Empresa líder no segmento quer que 50% das entregas sejam feitas com veículo elétrico até 2025

Por Fábio Devito
(Atualizado em 03/06/2022 - 17h04)
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O iFood anunciou nesta semana a criação de um programa de subsídio de motos elétricas para entregadores. De acordo com a plataforma, motoboys poderão trocar o seu veículo a partir de R$ 9.999,90 – valor abaixo da maioria das opções elétricas do mercado. O objetivo é reduzir em até 70% a emissão de gás carbônico nos grandes centros urbanos do Brasil.

O projeto será aplicado aos poucos no Brasil, começando pela cidade de São Paulo. A escolha está relacionada ao número de entregas e à quantidade de postos de carregamento elétrico na capital paulista.

Como funciona a moto elétrica do iFood

Segundo a empresa, as motos EVS Work iFood serão fabricadas em parceria com a Voltz Motors e utilizam um sistema de baterias substituíveis que garantem autonomia de 100 a 189 km por motorista. Para otimizar as corridas do entregador, evitando a perda de tempo com recargas, a empresa oferecerá um sistema de trocas de baterias em postos de combustíveis parceiros. A ideia é que o motorista deixe a sua bateria vazia e saia com outra recarregada em minutos.

Um levantamento da plataforma indica que um motorista que rode cerca de três mil quilômetros por mês deve gastar em média R$ 610 de combustível, considerando o litro a R$ 7,10. Com a moto elétrica, esse custo deve ser substituído, causando economia de até 60% para o entregador.

De acordo com a fabricante do veículo, as motos EVS Work também devem contribuir para a segurança dos entregadores, tendo em vista que a sua velocidade máxima é de 85 km/h. O objetivo do iFood é que 50% de suas entregas sejam realizadas por veículos elétricos até 2025.

 

Subsídio parcial da frota

O modelo EVS Work é vendido pela Voltz Motors a partir de R$ 16.490 para o grande público. Um kit de baterias adicionais pode chegar a R$ 4.500. No plano iFood, além do subsídio no valor das motos, os entregadores poderão fechar um pacote mensal para troca das baterias. Segundo o site da fabricante, o plano mais básico de até 2000 km/mês sai por R$ 129, até 4000 km por R$ 219 e o plano de quilômetros ilimitados custará R$ 319.

Apesar dos valores praticados, nem o iFood e nem a Voltz Motors foram claros sobre quais são as condições para que os entregadores parceiros da empresa consigam este subsídio. Um anúncio no final do site destaca que a pré-venda será válida apenas para as primeiras mil unidades comercializadas, sugerindo que o preço poderá ser alterado no futuro.

Além disso, os primeiros 300 entregadores terão a possibilidade de financiar até R$ 2.000 do veículo por meio de uma parceria do iFood com um banco.

iFood tenta limpar a barra com entregadores

A iniciativa do iFood reflete as tentativas da empresa em limpar a sua imagem perante entregadores que buscam mais direitos e amparo da plataforma. Durante a pandemia de Covid-19, muitos motoboys denunciaram as péssimas condições de trabalho às quais eram submetidos, além da baixa remuneração que os força a trabalhar mais horas por dia.

Além disso, a empresa recentemente foi alvo de uma ação judicial por parte de outras empresas de delivery que a acusam de práticas anticompetitivas, além de um escândalo envolvendo ações coordenadas nas redes sociais para ocultar as reclamações dos entregadores que discordam das condições oferecidas pelo aplicativo.

O movimento, conhecido como #NãoBrecaMeuTrampo, consistia na criação de páginas de memes, a contratação de falsos entregadores e a criação e contas fake para mudar a imagem da empresa em relação ao público e abafar propostas de regulamentação da profissão de entregadores.

De acordo com um levantamento do Valor Econômico, atualmente o iFood tem cerca de 75% a 85% da participação do mercado de delivery de comidas.

 

Carros elétricos não geram poluição, mas são alimentados por baterias cuja produção impacta o meio ambiente e são praticamente descartáveis

 

Veículos elétricos são a solução para o trânsito?

Impulsionados principalmente pela iniciativa de grupos econômicos e políticos como a União Europeia – que prevê o banimento de veículos à combustão de todos os seus países até 2030 -, os investimentos na produção e consumo de veículos elétricos se tornaram tendência nos últimos anos. Mas será que este é um caminho realmente sustentável?

A resposta é mais complexa do que parece. De fato, projetos elétricos contribuem para a redução de CO2 e, no caso de serviços de entregas, são uma alternativa interessante.

No entanto, quando se trata de mobilidade pública, a questão é mais séria do que parece. Reduzir a emissão de gases poluentes é apenas um dos problemas enfrentados pelos grandes centros urbanos, mas existem outras dificuldades, como a redução de frotas e a construção de alternativas de transporte público mais eficazes.

A própria iFood sabe destas questões e estuda alternativas de tecnologia para eventualmente modificar a sua atuação, modificando o modelo de entregas com o uso de drones.

Hoje, a grande maioria dos carros e motos elétricas possui garantia de oito anos para as suas baterias. Após este período, é necessária a substituição do módulo de energia, um custo que pode chegar a custar até 60% do valor do veículo. Há quem diga que este aspecto quase descartável pode aumentar ainda mais a quantidade de lixo eletrônico e de ferro-velho no mundo.

Além disso, as baterias dos carros são à base de lítio – um componente que não é necessariamente sustentável. Além de se tratar de um elemento dificilmente reciclável, a sua extração tem causado impactos ambientais ao planeta. O Chile – país detentor de 52% de todas as reservas de lítio do planeta – sofre há anos com problemas causados pela mineração do metal, incluindo impactos no ecossistema que colocam em risco a longevidade do deserto do Atacama.

No Brasil, há um projeto de Lei de 2017 que prevê a substituição de veículos a combustão por elétricos até 2030. A ideia é abordar todos os prós e contras do tema, incluindo o que fazer com as frotas aposentadas e pensar em iniciativas para diminuir eventuais impactos ambientais para as próximas gerações. O projeto, no entanto, está parado no Senado desde 2020.