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Entenda as diferenças entre orientação afetivo-sexual e identidade de gênero

Saber quem é você quanto à sua identidade de gênero e orientação afetivo-sexual é fundamental para saber que existe pluralidade e a fim de não normalizar ou hierarquizar uma em relação a outra

Por JP Polo
(Atualizado em 06/07/2022 - 18h25)
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Todas as pessoas, independentemente de serem ou não da comunidade LGBTI+, têm uma orientação afetivo-sexual e uma identidade de gênero. Vamos por partes.

Orientação afetivo-sexual

Refere-se a qual gênero (ou quais gêneros) você tem interesse e destina sua afetividade e/ou desejo sexual. Por exemplo: eu sou um homem gay. Isso significa que eu me identifico como do gênero masculino e me interesso afetivamente e sexualmente por outros homens. Portanto, eu sou homossexual, assim como mulheres lésbicas.

Caso uma pessoa oriente seu desejo e afetividade por mais de um gênero ou todos os gêneros, essa pessoa é bissexual.

E, ainda, quem tem uma orientação afetivo-sexual para pessoas do gênero oposto ao seu, chamamos de heterossexual. Por questões didáticas, vamos nos ater a apenas essas 3 orientações afetivo-sexuais, apesar de haver outras.

Talvez entender esses conceitos seja mais fácil, pois estão mais próximos da gente e do nosso dia a dia. Para finalizar esse bloco, vale ressaltar que é errado falar “opção ou preferência sexual”, porque sexualidade é percepção e entendimento de si, e não uma escolha. Ninguém decide ser hétero, homo ou bi num determinado dia, podendo trocar assim como se troca de roupa, ok?

Identidade de gênero

Vale dizer que gênero é uma definição que se dá para além da genitália da pessoa. Gênero é uma construção social, sobre os aspectos do que é ser homem ou mulher na nossa sociedade e o que é atribuído a cada um deles. Por exemplo: é amplamente falado que homem não deve chorar, enquanto mulheres podem exprimir suas emoções; para eles, a agressividade no trato é positiva, enquanto delas se espera mansidão e amorosidade sempre. Caso fujam disso, mulheres são dadas como loucas, descompensadas ou estão de TPM; homens não devem ser os principais responsáveis pelo cuidado da casa ou dos filhos, mas às mulheres isso é exigido, como se maternidade e cuidado fossem qualidades natas apenas delas.

E, assim, poderíamos elencar outras tantas características, e comportamentos socialmente relacionados aos gêneros. Porém, vale lembrar que, mesmo essas ainda serem imposições enraizadas na nossa sociedade, existem homens e mulheres que fogem a essas regras e têm buscado questionar e diluir esses estigmas.

Isso posto, vamos entender o que seria identidade de gênero. Ao nascermos, somos destinados a um ou outro gênero a partir da nossa genitália. Se tem pênis, homem. Se tem vagina, mulher. Se no decorrer da vida, ainda nos identificarmos com esse gênero que nos foi designado por terceiros, somos pessoas Cisgêneros.

Por exemplo, quando nasci, falaram que eu era homem a partir do meu órgão sexual externo e, ao crescer e me desenvolver, eu ainda me identifico assim. Porém, na minha orientação, eu sou homossexual. Alerta de spoiler: identidade de gênero e orientação afetivo-sexual se conjugam independentemente, ok?

Por outro lado, quando a pessoa não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer, seja na sua infância, adolescência, vida adulta ou em qualquer fase da sua existência, essa é uma pessoa que se identifica como Transgênero.

Vamos a um exemplo didático: ao nascer, disseram que aquele ser seria um homem, por ter pênis. No decorrer do seu desenvolvimento, essa pessoa se entende como mulher e se apresenta dessa forma. Temos, nesse caso, uma mulher trans.

Transgênero acaba sendo um termo amplo que abarca diversos espectros dessa identidade: pessoas transexuais (homens trans, mulheres trans), travestis e pessoas não-binárias.

Mulheres trans e Travestis

Ambas são pessoas que se identificam como do gênero feminino, independentemente de terem feito cirurgias de redesignação sexual (erroneamente chamadas de “cirurgias de mudança de sexo”), hormonização ou outros processos estéticos. Essas não são características que diferenciam uma da outra.

O termo travesti, historicamente, sempre foi muito marginalizado, utilizado pela sociedade e mídia como algo pejorativo, ligado à prostituição e crimes, por exemplo. Entretanto, isso não passa de mais um estigma que gera preconceitos e discriminação. Muitas que assim se identificam hoje o fazem também como um ato político de ressignificação da palavra travesti para quebrar toda essa construção negativa em torno dela.

O mais importante: sempre se refira às mulheres trans e travestis COM PRONOMES FEMININOS (ela/dela) e, caso vá se referir à sua identidade de gênero, pergunte qual termo ela prefere. Sempre respeite a autoidentificação da pessoa, ok?

Pessoas Não-Binárias

São pessoas que fazem parte do espectro de transgêneros e que não se entendem nessa construção social e binária de gêneros. Se complicou, vamos explicar: lembra que no início da coluna eu expliquei como se dá a ideia de gênero na nossa sociedade? Pois bem, isso se dá de forma binária: masculino ou feminino. Porém, têm pessoas que não se entendem nessa construção estática: não se identificam com nenhum dos dois gêneros, com ambos ou podem fluir entre eles.

Como termo mais amplo, utilizamos Pessoas Não-Binárias. Dentro dele, a pessoa pode se identificar, por exemplo, como Agênero (“sem gênero”), Bigênero (“ambos gêneros”) ou do Gênero Fluido (“fluidez entre os gêneros”).

Como eu sempre digo: não deduza ou tire conclusões. Em caso de dúvida, pergunte! Claro, com delicadeza e sem ser invasivo. E respeite sempre a maneira como a pessoa se autoidentifica. Essa decisão não é sua, é dela. Combinado?

#dicadoJP

Seguem algumas sugestões para você ler e assistir sobre o universo de pessoas trans. Vamos estourar nossas bolhas e conhecer outras vivências?

Série: “Veneno” (HBO)

Série: “Pose” (Netflix e FX)

Livro: “Viagem solitária – memórias de um transexual 30 anos depois” (Autor: Joao Nery / editora: Leya)