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O orgulho e a visibilidade Lésbica

O mês de agosto é marcado por duas datas importantes que relembram e celebram momentos fundamentais de luta e busca de direitos pelas mulheres lésbicas no Brasil

Por JP Polo
(Atualizado em 01/09/2022 - 8h39)
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Além de junho, o mês de agosto é também bastante marcante para o movimento LGBTI+, sobretudo para a luta das mulheres lésbicas. Nele se concentram duas datas importantes: o Dia do Orgulho Lésbico, em 19 de agosto, e o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado no dia 29 desse mesmo mês.

A primeira data refere-se a uma grande manifestação de mulheres lésbicas que ocorreu em 1983, em São Paulo. Na época, existia um local muito frequentado por elas, chamado de Ferro´s Bar.

 

Protesto no Ferro´s Bar, em 1983 (Acervo: Folha de S. Paulo)
Protesto no Ferro´s Bar, em 1983 (Acervo: Folha de S. Paulo)

 

Ainda em meio às restrições e violências da ditadura no país, as ativistas do Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf) protestaram contra os abusos e preconceito que enfrentavam no estabelecimento. Isso foi encadeado devido a proibição, por parte dos proprietários do local, da distribuição de um boletim chamado “ChanaComChana”, com foco nos direitos das mulheres, principalmente mulheres lésbicas. Esse episódio ficou conhecido como o “Stonewall brasileiro”, em referência ao protesto que havia acontecido também num bar em Nova York, em 1969 (para saber mais sobre esse acontecimento, leia aqui).

Já o Dia da Visibilidade Lésbica foi criado em homenagem ao 1º Seminário Nacional de Lésbicas, que aconteceu em 29 de agosto de 1996 e discutiu as demandas dessa população. Dentre as pautas, estavam a organização coletiva dessas mulheres, trabalho, cidadania, saúde e visibilidade.

Rosely Roth, uma das lideranças lésbicas nos anos 80 e o boletim “ChanaComChana” (Acervo: Folha de S. Paulo)
Rosely Roth, uma das lideranças lésbicas nos anos 80 e o boletim “ChanaComChana” (Acervo: Folha de S. Paulo)

Falando nisso, o fato de utilizarmos a sigla LGBTI+ (e outras variações) atualmente e todas trazendo o L como primeira letra, não é aleatório. Isso é resultado dessa luta por visibilidade inclusive dentro do próprio movimento LGBTI+, que sempre teve muito forte o protagonismo de homens gays e cisgêneros, expondo uma das facetas do machismo estrutural que também atravessa outras pautas, como a nossa. Essa é uma maneira de reconhecer que a luta pelo respeito e busca por direitos LGBTI+ devem ser grandes aliados da luta feminista sempre.

Lesbofobia

A violência contra lésbicas, que têm como motivação a orientação afetiva-sexual dessas mulheres, tem suas especificidades. Elas são atravessadas pelas questões de preconceito de gênero, além das agressões que atingem a população LGBTI+ de maneira geral. A sexualização dos seus corpos, principalmente por homens héteros, é um desses exemplos. Mulheres e casais lésbicos muitas vezes são alvo do fetiche masculino que as desejam e acham que estão ali para servi-los ou satisfazerem seus desejos.

Se voltarmos alguns poucos anos na história, era muito comum, ao digitar a palavra “lésbica” em plataformas de busca da internet, ter grande parte dos resultados associados à pornografia. Isso mostra o quanto essas identidades são descaracterizadas e colocadas como objetos de desejo de terceiros, tão somente. Hoje, depois de movimentos e discussões com as empresas que gerenciam esses recursos, as coisas mudaram.

Em uma pesquisa, o Instituto Patrícia Galvão apresentou que 89% dos casos de lesbocídio, assassinato de mulheres lésbicas, são causados por homens. E 29% desses crimes são causados por alguém que mora na mesma casa. Além dessas atrocidades, outra violência que mulheres lésbicas enfrentam é o “estupro corretivo”, quando homens praticam sexo à força para “punir” ou para “convertê-las” a heterossexuais. Um verdadeiro horror!

Orgulho e Visibilidade, portanto, são mais que palavras que qualificam essas datas: são sentimentos fundamentais para a existência plena de mulheres lésbicas e para que tenhamos, como consequência dessas lutas, a transformação social, com dignidade e direitos para todas!

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