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Por que 28 de junho é considerado o Dia do Orgulho LGBTI+?

Uma revolta num bar em Nova York, em 1969, pra colocar fim à violência policial contra a comunidade LGBTI+ tornou-se um marco na história contemporânea do movimento

Por Redação
(Atualizado em 30/06/2022 - 14h30)
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#PraTodesVerem: JP Polo é um homem branco, com barba preta, cabelo raspado, veste uma blusa azul escura com listras brancas, está sentado numa poltrona vermelha, ao fundo tem a bandeira do arco-íris na parede e, na mesinha de madeira ao seu lado, estão alguns livros, uma vaso com uma folhagem verde e uma bandeira do movimento trans.

 

Há pouco mais de 50 anos, ser lésbica, gay, bissexual, trans ou travesti, por exemplo, era crime nos Estados Unidos. Uma pessoa que andasse pelas ruas de Nova York, no final dos anos 60, sem vestir, ao menos, 3 peças de roupa “apropriadas ao seu gênero” poderia ser presa. Essa era a realidade da cidade, hoje considerada uma das mais cosmopolitas e diversas do mundo.

Portanto, vivenciar sua sexualidade ou identidade de gênero mais tranquilamente só era possível em alguns locais, como no bar Stonewall Inn. Localizado em Manhattan, esse espaço, assim como outros, era frequentemente invadido pela polícia americana que agia de forma violenta, agredindo quem ali estava e prendendo as pessoas. Entretanto, no dia 28 de junho de 1969, durante uma dessas batidas policiais, a história do movimento LGBTI+ toma novo rumo.

Clientes do bar, nesse dia, reagiram e decidiram se rebelar contra a opressão policial. Durante alguns dias, mantiveram-se em frente ao estabelecimento, exigindo respeito e o fim da violência institucional. Esse episódio ficou conhecido como a Revolta de Stonewall.

Sobre esse acontecimento, tenho que destacar duas figuras emblemáticas que tiveram protagonismo e liderança: Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera (que aparecem na foto que abre esta coluna). Duas mulheres trans que se colocaram na linha de frente da resistência e a quem devemos muito. Sempre digo e repito: é fundamental reconhecer quem nos antecedeu na luta e abriu caminhos, facilitando nossas vivências atuais.

JP Polo em frente ao bar Stonewall Inn, em Nova York, em 2016 (Foto: Arquivo pessoal)

As Paradas do Orgulho LGBTI+

Apesar dessa data ser um marco para a história contemporânea da comunidade, já existiam antes disso ações de resistência contra a exclusão, marginalidade e violência em diversos países. Porém, a Revolta de Stonewall tem sua relevância porque também dela surgiram as modernas paradas LGBTI+.

Em 1970, após exato um ano do incidente, aconteceu a primeira marcha em Nova York por direitos civis, relembrando e celebrando o ato de 28 de junho de 1969.

No Brasil, a primeira Parada aconteceu em 1997, na cidade de São Paulo, reunindo cerca de 2 mil pessoas na Avenida Paulista. De lá pra cá, após mais de 25 edições do evento, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo (sigla pela qual é oficialmente chamada) cresceu e foi incluída, em 2006, no Guiness Book, o Livro dos Recordes, como a maior do mundo.

JP Polo na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo deste ano (Foto: arquivo pessoal)

Hoje ela está entre os três maiores eventos da cidade e, em 2022, levou para a avenida cerca de 4 milhões de pessoas (segundo a organização), movimentando mais de R$500 milhões na economia local e fazendo a ocupação dos hotéis bater os 80%.

Além de uma grande festa, da ocupação de um dos espaços mais emblemáticos da cidade de São Paulo e de dar visibilidade à diversidade que compõe a comunidade, a Parada é um movimento de luta por direitos, que ainda tem um longo caminho no nosso país e que será tema de uma próxima coluna.

 

‘Stonewall – onde o orgulho começou’ está disponível no Globoplay

#dicadoJP

Para saber mais sobre esse momento histórico e outros do movimento LGBTI+, seguem minhas dicas:

Filme: “Stonewall – Onde O Orgulho Começou” (Globoplay)

Documentário: “A morte e vida de Marsha P. Johnson” (Netflix)

Livro: “Movimento LGBTI+: Uma breve história do século XIX aos nossos dias” (autor: Renan Quinalha / editora: Autêntica)