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Batman - O Retorno: 30 anos

Lançado oficialmente no dia 19 de junho de 1992, o filme de Tim Burton é autoral, marcou uma geração, mas é carregado de polêmicas

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 01/07/2022 - 10h31)
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30 anos atrás o mundo era bem diferente. Ir ao cinema para ver um filme sobre quadrinhos era algo bem fora do comum. Naquela época, as principais apostas no cinema eram filmes mais autorais e sem nenhum compromisso de continuações.

Naquele cenário, um filme se destacava e estava entre os grandes blockbusters daquele verão americano. Uma continuação de um diretor jovem, autoral e seguido de um sucesso comercial de 1989.

Perfume de Mulher, Drácula de Bram Stoker, Cães de Aluguel, O Último dos Moicanos, foram os grandes destaques daquele ano no cinema. Porém, o protagonista assumiu a frente e levou todas as atenções naquele período. Estamos falando de Batman: O Retorno (Batman Returns), continuação do sucesso Batman (1989), dirigido pelo diretor Tim Burton.

19 de junho de 1982 foi um dia marcante para os filmes de quadrinhos, em uma época que os heróis não eram os protagonistas, e mais uma vez as filas se formaram em torno dos cinemas enquanto o público estava pronto para viajar de volta a Gotham City, dessa vez com Michael Keaton, Michelle Pfeiffer e Danny DeVito.

Na sinopse, um monstruoso Pinguim, que vive nos arredores de Gotham, se junta ao diabólico empresário Max Shreck para vencer Batman de uma vez por todas. Porém, a secretária de Shreck, Selina Kyle, descobre os planos e se transforma na irresistível Mulher Gato que se alia à destruição de Batman.

Pela primeira vez, em uma adaptação de heróis, temos dois vilões na história, com atuações marcantes de DeVito com uma maquiagem absurda que é referência até hoje. Além da inesquecível atuação de Pfeiffer como Mulher Gato.

O filme estreou com US$ 45,68 milhões, chegando à frente da estreia de US$ 40,48 milhões de Batman de 89. Ele manteve o primeiro lugar nas bilheterias por mais dois fins de semana. Arrecadou US$ 103,99 milhões nas bilheterias estrangeiras para um total global de US$ 266,82 milhões e ficou bem atrás dos US$ 411,5 milhões do seu antecessor.

Apesar de ser lembrado com muito carinho por uma boa parte dos fãs, o filme, apesar de ter um tom bem autoral, com um visual bem marcante e com todas as esquisitices do bem de Tim Burton, não foi um sucesso comercial. Muito por causa das brigas do diretor com o estúdio, que achava o filme muito sombrio e com toques de terror. E isso dificultava a venda de ações de merchandising e, por consequência, poucos brinquedos eram vendidos.

Anos depois o estúdio decidiu mudar a direção do projeto, trazendo um novo diretor (Joel Schumacher) e, enfim, foi lançado o terceiro filme do Batman no cinema: Batman Eternamente (Batman Forever, 1995), já com todas as mudanças no visual. Mas isso fica para um outro dia.

E quem diria que o principal vilão do Batman nessa época seria um palhaço, e não, não estou falando do Coringa, um dos principais vilões da cultura pop, mas sim o palhaço que é marca de uma das maiores franquias de fast food do mundo, o McDonald’s.

Problemas com o McDonald’s

Naquela época não era fácil um filme de heróis ganhar projeções grandes e principalmente se manter com uma força externa, no caso, um patrocinador. Com o sucesso comercial do primeiro filme, logo cresceu a vontade de marcas se associarem à continuação, e naturalmente, uma das maiores redes de fast food queria fazer parte desse movimento e adquiriu o licenciamento oficial do filme. Afinal, que criança em 1992 não ia querer um sanduíche e, de quebra, ganhar um brinde do Batman?

E como dito anteriormente, esse filme era uma marca autoral do seu diretor, Tim Burton abusou de seus maneirismos (o que é legal para caramba) e simplesmente colocou a Mulher-Gato colocando um pássaro na boca e Pinguim morando no esgoto, mas em sua cena final em que o personagem está machucado e uma gosma preta escorre de sua boca, a cena é pesada e chocante para algumas crianças.

Nem o estúdio gostou e muitos de seus patrocinadores acharam muito pesado, e isso influenciou pesadamente toda a campanha “feliz” na rede de fast food.

“Eles perguntaram: ‘O que é aquele negócio preto saindo da boca do Pinguim?’”, relembrou Burton na entrevista para Uproxx. “Não conseguimos vender McLanches Feliz assim!”.

Clássico cult

Apesar de toda a polêmica na época, o filme hoje, é reconhecido como um clássico cult, afinal, as continuações que aconteceram sob a direção de Joel Schumacher (Batman Forever e Batman & Robin) quase acabaram com a franquia, salva anos depois pelas mãos de Christopher Nolan com Batman Begins.

Eu confesso que guardo esse filme com muito carinho, adorava assistir quando criança, e como o filme se passa no Natal, se tornou uma referência natalina para mim durante muitos anos.

O filme é esquisito, sim, tem uma história bem doida, mas tudo fazendo parte do contexto do universo. Goste ou não, mas esses filmes do Tim Burton criaram uma geração no cinema que viralizou em outras mídias, como nos desenhos e anos depois da franquia Arkham nos vídeo games.

Batman o Retorno é um filme autoral com todos os fatores positivos e negativos disso, mas vale muito a pena você rever, ou para quem nunca viu, além de uma trilha sonora absurda de Danny Elfman. Aliás, até hoje o morcego nunca, NUNCA teve outra trilha tão marcante como essa.

Batman – O Retorno e outros filmes do Batman estão no catálogo da HBO Max.

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