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Elvis

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 02/08/2022 - 11h55)
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Conhecido pelos projetos como “O Grande Gatsby” e “Moulin Rouge”, o diretor Baz Luhrmann entrega um filme que se torna quase uma fábula sobre “Elvis”, desde o lado músico incluindo todas as polêmicas.

O filme conta a história do ícone do rock Elvis Presley, que mantém um relacionamento complicado com o enigmático empresário, Tom Parker, por mais de 20 anos. Esse é o grande trunfo do filme, utilizando o recurso de um narrador “não confiável” na voz de Tom Hanks que interpreta de forma brilhante, mas com alguns exageros no sotaque o coronel Tom Parker, que foi um empresário, se tornando conhecido mundialmente por ser o agente de Elvis Presley de 1955 até 1977.

E toda a história é contada pela visão, ou seja, fica a sensação de alguns pontos podem ser mentira ou fora de contexto do que realmente aconteceu, o que torna o filme muito mais forte, afinal, se estamos contando a história de uma lenda, ela precisa de seus exageros e eufemismos.

Sobre a trilha sonora, o filme traz a música negra gospel americana. Também mostra reportagens da época, que discutem quais os fatores pela qual Elvis Presley teria feito mais sucesso que outros artistas. Ele cresceu em um bairro pobre em Tupelo, no Mississipi, cuja população era majoritariamente negra. Frequentava igrejas em que a música gospel era tocada, e se tornou uma de suas grandes referências.

Falando em atuação, Austin Butler, que ficou conhecido recentemente por ter participado do “Era Uma Vez Em… Hollywood”, carrega o filme. Ele consegue demonstrar toda as emoções sem se perder em um personagem caricato. Afinal, Elvis, era uma showman, e as chances de você acabar apenas imitando seus trejeitos é muito grande, mas Butler, consegue se manter coerente o filme todo, inclusive quando está “fora dos palcos”.

Um dos pontos fortes do filme, é a edição absurda de Matt Villa, que com cortes rápidos, consegue contar uma estória frenética, intensa de duas horas e meia que passam muito rápido.

Por um outro lado, filmes biográficos tendem a cometer o mesmo erro, muitas vezes escolha de roteiro, no caso, você contar a história de alguém ou de uma banda e resumir mais de 40 anos em um único filme. É uma fórmula meio batida, a história retrata a infância, início da carreira, ascensão, queda/ crise e redenção/ morte.

A partir disso, quando o roteirista resolve colocar todos os pontos, acaba tornando tudo tão superficial e corrido, que pontos importantes acabam se perdendo ou por muitas vezes, retirados da história.

Exemplos como o filme do “Tim Maia”, que é muito bom, mas ele escolhe simplesmente contar tudo. É claro, que como um artista do calibre de Tim Maia, um filme com a duração de duas horas é muito pouco e a sensação acaba ficando a mesma. Um exemplo positivo que consegue contar a história do artista, foca em um período e entrega um filmão é o “Ray”, que retrata a vida de Ray Charles.

Filme conta a história do ícone do rock Elvis Presley (Foto: Divulgação)
Filme conta a história do ícone do rock Elvis Presley (Foto: Divulgação)

Tom Parker e Elvis

Apesar do filme ser focado em Elvis, o personagem principal de certa forma é o seu empresário, Tom Parker, o polêmico com um passado obscuro.

“Qual o segredo para o senhor estar sempre por cima da situa­ção”, perguntou um repórter em 1960 da revista Variety. “É muito simples: eu sou a situação”, respondeu Parker. Ele teve uma influência intensa sobre o homem que seria o rei desde que o descobriu e se tornou seu empresário em 1955.

Parker teve um passado tão sombrio que havia rumores de que ele estava envolvido no assassinato de Anna van den Endenm, em sua cidade natal de Breda.

Embora Parker tenha ajudado Elvis Presley a se tornar o primeiro superstar do rock com sucessos como “Heartbreak Hotel”, “Hound Dog” e “Don’t Be Cruel”, os dois não se amavam exatamente, pelo contrário.

Parker também pressionou Presley a mudar o foco da música para o cinema. Embora tenha tido sucesso com filmes como “Jailhouse Rock”,em 1957, os filmes acabaram prejudicando a carreira de Presley. Embora o próprio empresário vivesse por mais 20 anos depois de Presley, morrendo aos 87 anos em 1997, grande parte dele morreu com Elvis.

Elvis é um filme potente, e mesmo que você não goste das músicas ou das cafonices da época. Pelas atuações, edição e a história como um todo, mostrando que por trás de toda lenda, existe um ser humano, com suas virtudes e falhas, afinal toda lenda possui mitos, e sem dúvidas, Elvis é uma das maiores lendas da música.

Elvis está atualmente em cartaz nos cinemas.

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