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Jurassic World: Domínio

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 09/06/2022 - 8h00)
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O filme é inovador, do início dos anos 90, com uma tecnologia que mudou a história do cinema e um grande e talentoso diretor. Fez sucesso, mudou a cultura pop e impulsionou um novo estilo de blockbuster. Soube utilizar os recursos práticos misturados ao CGI recém criado. Claro que estou falando do Jurassic Park, de 1993, dirigido por Steven Spielberg e inspirado no livro de Michael Crichton. Ganhou prêmios, moldou uma geração, trouxe os dinossauros para o holofote do primeiro patamar da cultura pop e, por consequência, deu o pontapé para as sequências, e é aí que as coisas começam a mudar.

Em 1997, mesmo com a volta de Crichton e Spielberg, O Mundo Perdido foi bem abaixo do longa original. Anos depois chegou a terceira parte, que conseguiu praticamente enterrar a franquia no cinema. Até que em 2015 o que parecia ter terminado voltou com muita força, e o responsável por isso foi Colin Trevorrow, que conseguiu atualizar a história, homenagear o clássico e trazer novos personagens.

Em 2018, O Reino Ameaçado subverteu todas as expectativas e entregou uma nova dimensão para a história, que não agradou tanto a crítica, mas garantiu mais um filme, a terceira parte da segunda trilogia, que marcaria, enfim, a junção das duas eras e encerraria toda a história.

Colin Trevorrow volta para a direção em Jurassic World: Domínio, que nos trouxe uma promessa: encerraria a franquia não apenas atual, mas sim, toda a saga que começou lá em 1993, com Steven Spielberg. Mas não foi bem isso o que aconteceu.

A trama do filme se desenvolve enquanto Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard) buscam por Maisie (Isabella Sermon), que foi sequestrada por traficantes de animais e acabam entrando no caminho de uma outra empresa que está usando o poder da genética para produzir dinossauros. Essa empresa é alvo de investigação de Alan Grant (Sam Neill) e Ellie Sattler (Laura Dern).

E assim, com a junção dos dois elencos, atual e clássico, a história se desenvolve, porém, no meio do caminho, o filme investe em um plot que foi criado no filme anterior, que depende até que ponto você que está assistindo está disposto a acreditar. Nesse caso, estou falando da personagem Maisie, ela que foi apresentada no filme anterior, como um “clone genético” da filha de um dos fundadores do Jurassic Park. Ela se torna peça chave nessa história, ela e o filhote da Blue, sim, o filhote da Velociraptor são as peças fundamentais para essa história se desenvolver. Aliás, erro meu, o fator que move essa história são os gafanhotos.

É natural que o filme não se fique apenas em nostalgia, que aliás, é bom quando o roteiro resolve desenvolver naturalmente e seguir seu próprio caminho. O problema é que aqui ele não consegue desenvolver diretamente a história principal e muito menos fazer as amarras de todo o contexto anterior, dando uma sensação de filme episódico que não finaliza e para piorar, coloca uma empresa vilã nova, bem “qualquer coisa”. Aliás, esse termo serve para qualquer momento do filme; o vilão: qualquer coisa; a nova ameaça com o poderoso Giganotossauro: qualquer coisa.

Um dos pontos que me incomoda nesses filmes recentes além do efeito Deus Ex Machina se repetiu nos três filmes recentes, praticamente iguais nesse contexto. Também o fato de transformar os dinossauros em animais “inteligentes”, claro que esse que vos escreve não tem nenhuma especialização no assunto, mas uma das coisas que mais eu admirava quando criança assistindo o primeiro Jurassic Park é esse conceito de “filme de monstro”, animais que possuem seu instinto animal para sobreviver criando essa sensação de ameaça o tempo todo.

Ver o personagem do Chris Pratt prometendo durante uma “conversa” com um dinossauro que irá trazer o seu filhote de volta é uma das coisas mais cafonas que eu já vi em um roteiro. Manter a essência instintiva de um dinossauro é manter a imersão da história, faz parte do contexto, mesmo que a seja ficção aventuresca, é fundamental para a história.

Encontro de gerações

Sam Neill, Laura Dern e Jeff Goldblum juntos depois de tanto tempo é algo especial, mas demora tanto para eles se juntarem que quando isso acontece não há quase efeito nenhum, o que torna a razão deles estarem juntos quase que insignificante. Infelizmente, esse ponto tinha tudo para ser uma experiência “Marvel” no cinema, mas não chegou nem perto.

Esse filme tem um problema de ritmo, mesmo com duas horas e meia ele parece ser meio picotado, a impressão que me dava é que em breve esse filme terá uma versão estendida, afinal existem cortes tão nítidos que os personagens estão juntos em um ambiente, eles andam alguns passos e pronto, estão em um outro lugar completamente diferente, em conjunto com uma série de acasos e conveniências. Esse filme sentiu muito as limitações de gravações durante a pandemia.

Outro ponto fundamental para toda a saga é a trilha sonora. Criado pelo gênio John Williams, o tema de Jurassic Park é icônico. Ele foi reformulado por Michael Giacchino no Jurassic World, mas aqui a trilha simplesmente some, fica o tempo todo flertando com o tema clássico e não aparece, outro ponto que também fica só na promessa.

Jurassic World: Domínio é uma ideia boa, mas que na prática com uma execução previsível e que não consegue utilizar a nostalgia a seu favor, também não consegue criar um clima épico em seu final. Aliás, o filme termina em uma voz em off literalmente narrando e explicando todos os pontos.

É literalmente igual ao final do filme anterior, na verdade é pior, porque em Jurassic World: Reino Ameaçado a gente tem a voz de Jeff Goldblum, e nesse não. Tudo que se passa nessa história não muda relativamente nada do status quo desse universo. E se a ideia era encerrar a história, as duas trilogias, ficou com um gosto amargo de apenas mais uma aventura que não consegue se aprofundar e encerrar uma história.

No fim, vale a pena ir ao cinema? Sim, claro que vale, é um pipocão de mão cheia que vale em suas duas horas e meia de filme, mas não espere um épico.

Jurassic World: Domínio está em cartaz nos cinemas.

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