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O Homem do Norte

Uma história de vingança com a mitologia nórdica de pano de fundo

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 02/06/2022 - 18h01)
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Após sucessos de crítica como A Bruxa (2015) e O Farol (2019), Robert Eggers retorna à direção e entrega um thriller de terror com um tom de aventura e grandes inspirações em obras de Shakespeare.

Épico de vingança é algo muito comum em adaptações históricas, e esse é o tom que carrega a história do Príncipe Amleth (Alexander Skarsgaard) que deve cumprir a profecia e a promessa de vingar a morte do seu pai, Rei Aurvandil (Ethan Hawke), assassinado pelas mãos do seu tio, Fjölnir (Claes Bang) e salvar a sua mãe, Rainha Gudrún (Nicole Kidman).

Apesar de uma história de certa forma clichê, a trama consegue, com uma mão na direção pesada e marcante, contar uma história dentro da mitologia nórdica de forma original explorando os cenários, atuações e com várias analogias.

Um dos pontos importantes é a maneira e o cuidado com que, mesmo sendo uma história fictícia, ela se preocupa em trazer para uma realidade da época. Realidade tão brutal que se transforma em um filme violento e um pouco longo, com 2 horas e 17 minutos.

 

 

Aula sobre a cultura Viking

O cuidado da produção, em detalhes, elevam a obra bem acima de outros épicos históricos. Os cenários, diálogos e certos easter eggs deixam o espectador em um nível de imersão gigantesco. O tom sombrio e a caracterização dos personagens, no caso, a “sujeira” da época, transforma o protagonista em não-herói, mas você entende suas motivações, apesar de uma reviravolta um pouco óbvia no final.

Além de ter fortes inspirações em Hamlet, o filme conta com forte inspiração na mitologia nórdica. Bruxas e Deuses, em determinado momento, somos apresentados a uma bruxa capaz de prever o futuro. Como um oráculo que vê os caminhos para o nosso protagonista. Além de todo o conceito do paraíso Viking, Valhalla.

Protagonista que não é um herói

O tom sombrio do filme também se desenvolve através do protagonista, Amleth, que apesar de motivações justas, toma atitudes que fazem o espectador repensar se esse é o caminho a seguir. Apesar de fazer parte da história, é natural que suas decisões sejam expostas para um terceiro ato digno de uma grande produção hollywoodiana.

Conforme o filme avança, as analogias apresentadas ganham doses de poesia. Entre batalhas e cenas cruas de pura brutalidade, natural de uma época e de uma mitologia que se faz como premissa a violência como forma de poder, ao mesmo tempo, traz uma série de analogias quase como uma fábula.

 

Homem do Norte

 

Porém, depois de 1h30 de filme, perde um pouco de ritmo, apesar da melancolia proposital e das ambientações paradisíacas do norte europeu. Essa escolha por retratar as ações de forma mais lenta pode trazer uma sensação de cansaço. Quem gostou de obras como A Bruxa e o Farol vai curtir, mas um público desavisado possa talvez ter pequenos bocejos.

No fim, O Homem do Norte é uma ótima opção para quem gosta de filmes épicos, que ao mesmo tempo trazem uma imersão histórica de vingança e violência.

“Eu te vingarei, pai. Eu te salvarei, mãe. Eu te matarei, tio.”

Robert Eggers vem acertando a mão em suas produções, e acredito que assim como seus antecessores, O Homem do Norte deverá se manter nos circuitos de premiações. E cresce a expectativa para seu próximo filme, adaptação do clássico Nosferatu.

O Homem do Norte está nos cinemas e ficará disponível para aluguel nas plataformas do Amazon Prime Video, Apple TV+, YouTube e Google Play em junho, ainda sem dia revelado.