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The Boys: Terceira temporada

Série mantém o humor ácido sobre o universo de heróis e faz um paralelo sobre o ciclo ideológico de violência que reflete os Estados Unidos e o mundo hoje

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 13/07/2022 - 11h44)
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A terceira temporada começa depois da derrota de Tempesta, quando a Vought precisa fazer um controle de imagem para manter a credibilidade e usa da imagem de Homelander.

Com Butcher trabalhando para o governo e supervisionado por Hughie, a paz e tranquilidade parecem estar ameaçadas. Os The Boys descobrem uma arma Anti-Supe que os leva a confrontar os Sete novamente. Enquanto o passado é explorado, novos heróis surgem, entre eles Soldier Boy (Jensen Ackles), um herói que foi utilizado na Segunda Guerra Mundial e se tornou um símbolo americano de super poderes.

Algo que se pode dizer com toda certeza é que a terceira temporada está mais sangrenta do que nunca, que é marca da adaptação da HQ de Garth Ennis. Mortes e desfechos de personagens importantes se tornam marca da temporada, o que de certa maneira pode incomodar alguns fãs mais apegados a alguns personagens. Mas se tem algo que aprendemos com o fenômeno de Game of Thrones é que não podemos nos apegar a nenhum personagem (pelo menos antes das temporadas finais).

Existem dois personagens que estão desde o início que suas histórias se encerram aqui, e sinceramente, que bom. A série precisa caminhar com novos caminhos, apesar de que no final da temporada fica uma sensação de que ficamos no mesmo lugar.

Homelander (Antony Starr) está mais solto do que nunca, e carrega, CARREGA a temporada nas costas. De longe é a temporada mais introspectiva do personagem. As relações paternais são exploradas desde o início e reverbera para um final perturbador.

Billy Butcher (Karl Urban) se torna um grande destaque na temporada, afinal, finalmente vamos ter a oportunidade de ver o Billy com poderes e após a sua promessa no final da temporada anterior, vingança contra o Homelander e proteger seu “filho”. Mas assim como a temporada toda, ele se perde em nuances de estar correto e de aprofundar em um ciclo de cegueira pela vingança.

Soldier Boy (Jensen Ackles) era a grande promessa, afinal, após a Tempesta na temporada anterior, a expectativa do grande herói do passado e com poderes para bater de frente contra o grande antagonista criou uma sensação de mudança de cenário. Seu passado heroico era uma farsa e, no fundo, ele simboliza tudo que a própria Vought significa. Ele é introduzido na história, enfim temos a tão falada “herogasm” que é até divertida, mas no geral, tudo termina do mesmo jeito que começou, explodindo tudo.

De longe, o núcleo feminino é o mais fraco. Starlight e Meave apenas acompanham a trama e ficam em segundo plano o tempo todo, até no embate final, mas criam uma promessa para os próximos passos.

Por outro lado, a terceira temporada trouxe, além do Soldier Boy, alguns acontecimentos do passado que criam uma camada emocional maior na história, Butcher e Leitinho da Mamãe (sim, esse é o nome dele na série) são destaques nesse ponto.

Explorando o passado, a série foca no antigo grupo do Soldier Boy, o “Payback”. Criado por volta dos anos 40, Payback surgiu sob a promessa de lutar contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O grupo é composto por Soldier Boy, Gunpowder, Noir, os Gêmeos TNT, Swatto, Mindstorm e Condessa Escarlate, fazendo de certa forma uma homenagem ao “Minutemen” grupo original da clássica obra Watchmen de Alan Moore.

Black Lives Matter

Entre altos e baixos, a terceira temporada explora as consequências da temporada anterior, mantendo um tom sarcástico que fica impossível não fazer as relações da polarização política americana que reverbera para outros países, como o Brasil, por exemplo.

As manifestações do movimento Black Lives Matter, que tiveram como estopim o assassinato de George Floyd pela polícia dos EUA, e a discussão sobre a violência policial contra a população negra ganhou força em todo o mundo. E dentro da série ela é explorada através das ações do personagem Blue Hawk, que tem ações racistas e levanta o debate da truculência racial.

Outro ponto muito marcante na temporada é a associação política polarizada inspirada na invasão do Capitólio dos Estados Unidos em 2021. No ataque, os invasores conseguiram superar a segurança do local (questionada até hoje pela facilidade), entrando no Capitólio, destruindo diversos objetos e ameaçando de morte os congressistas presentes.

A onda de discursos políticos com teor reacionário resultou em uma ação violenta no principal símbolo democrático dos Estados Unidos. Isso está demonstrado na visão deturpada sobre o Homelander e seus seguidores potencializadas pela falta de “controle” das redes sociais.

4 ª Temporada: O que sabemos até o momento

“Estamos ansiosos em dar sequência e comentar mais sobre este mundo insano. Além de que esta deve ser a primeira e última vez em que uma genitália garantiu o sucesso de algo”, comentou o showrunner Eric Kripke, durante a renovação, via Variety.

O quarto ano da série está a caminho. Alguns veículos de comunicação dos Estados Unidos informam que a nova temporada será lançada no verão norte-americano de 2023, ou seja, entre os meses de julho, agosto ou setembro. Em junho deste ano, através do Twitter, os atores publicaram fotos fazendo referência à nova temporada da série.

De maneira geral, a terceira temporada mantém o padrão de qualidade e aumenta o tom em relação à política atual. Exagerou no final e não consegue entregar todas as promessas no seu último e mais fraco episódio da temporada.

Soldier Boy foi uma adição incrível, mas seu desfecho foi fraco e mantemos a expectativa de algo maior no futuro.

Homelander se mantém no mesmo “lugar” da temporada passada e os The Boys, apesar de toda truculência, se mantêm unidos, agora com um novo vilão, ou melhor, vilã.

No geral, o saldo é positivo, me mantém na ansiedade pra uma próxima temporada, porém, está na hora de alguns desfechos começarem a se desenrolar, caso contrário, pode causar um certo cansaço.

The Boys está no catálogo do Prime Video.