Região:

min

max

Anuncie aqui

Thor: Amor e Trovão

Quarto filme do Deus do trovão é focado no humor, expande a mitologia mas é inferior ao seu antecessor: Ragnarok

Por Gabriel Candido
(Atualizado em 11/07/2022 - 15h18)
Compartilhar

A fase 4 da Marvel trouxe uma nova característica para suas produções: a liberdade criativa de seus diretores e produtores. Desde Ultimato (2019), filmes e séries do Disney Plus apresentam uma marca muito mais autoral em suas produções.

Falamos aqui sobre Moon Knight e Dr. Estranho no Multiverso da Loucura, adaptações com um peso característico autoral muito forte, além de Os Eternos (2021), de Chloé Zhao, excelente diretora e filme bacana, mas que sofreu na época de seu lançamento um certo esquecimento do público. Por outro lado, filmes como Shang-Chi (2021) e Viúva Negra passaram batido exatamente pelo marasmo do “mais do mesmo”.

Esse fato trouxe altos e baixos. O público, no geral, se acostumou com a bendita “fórmula Marvel”, e qualquer produção que fuja desse formato acaba causando uma certa estranheza. Mas isso é um problema do estúdio ou nossas expectativas é que atrapalham a experiência?

Afinal, estamos falando de um universo bem consolidado e financeiramente rentável e que atingiu seu ápice com o fim da saga das Joias do Infinito. E é natural que qualquer produto quando atingido seu ápice tende a balancear e diminuir, e o estúdio comandado por Kevin Feige comece a expandir seu universo em várias obras distintas.

No meio desse movimento, Thor, o único dos Vingadores originais, ganhou um quarto filme comandado novamente por Taika Waititi (Thor: Ragnarok) que vem balançando entre boas e péssimas críticas.

No novo filme, encontra o Deus do Trovão numa jornada diferente de tudo o que já enfrentou. Mas a reforma de Thor é interrompida por um assassino galáctico conhecido como Gorr, que procura a extinção dos deuses. Para combater a ameaça, Thor pede a ajuda da Rei Valkiria, de Korg e da ex-namorada Jane Foster, que para surpresa de Thor, agora empunha o seu Mjolnir. Juntos, eles embarcam numa angustiante aventura cósmica para descobrir o mistério da vingança do Carniceiro dos Deuses e detê-lo antes que seja tarde demais.

Se uma das premissas básicas da nova fase da Marvel é ter um tom autoral, aqui vemos Taika solto da coleira e o que era legal e deu muito certo em Ragnarok aqui ele potencializa no máximo seu humor ácido, com tons de deboche, mas em certos momentos exagera criando uma quase, quase paródia de si e do próprio universo.

Se antes a gente tinha uma música épica do Led Zeppelin, agora temos quase todas as músicas do “Appetite for Destruction”, do Guns.

O que é legal, afinal Guns é clássico demais, mas no humor, em certos momentos, é constrangedor e pode até funcionar em primeiro momento. Sim, Taika, eu já entendi a piada do Mjolnir e a Stormbreaker, não precisa repetir três vezes no filme!

Christian Bale e Natalie Portman

Depois de mais de dez anos de MCU (Marvel Cinematic Universe), de heróis e vilões, quem diria que não tinha como criar um antagonista tão interessante e assustador, que de fato pode te impressionar? É nesse contexto que Christian Bale puxa literalmente toda a energia (visual) na tela e entrega um ótimo vilão, com suas motivações e seu poder.

Desde Thor: The Dark World (2013), temos a volta de Jane Foster, interpretada pela sensacional Natalie Portman. Aliás, não é a única do universo do Thor que volta. Sif (Jaimie Alexander), Darcy (Kat Dennings), que havia retornado em Wandavision e Dr. Erik Selvig (Stellan Skarsgård), todos de certa forma, voltaram a aparecer, algo que consolida as histórias do Thor e de todo seu universo, afinal, novamente, é o único Vingador original que está ganhando novas histórias.

O motivo do retorno de Jane é bem significativo e é inspirado na saga “Thor: A Deusa do Trovão”, de 2015, escrita por Jason Aaron. Isso está presente no filme e é excelente, porém existe uma sensação de desperdício desse arco dramático, visto que ela só volta para dar o tom da história ao protagonista, mas não consegue caminhar com suas próprias pernas.

Comédia romântica na Marvel

Apesar de muitos criticarem o formato, eu achei uma ideia bem interessante no filme, afinal, Thor passou por uma grande mudança no desenrolar de seus filmes, e com o sucesso de Ragnarok, e com Taika Waititi novamente, era de se esperar que eles mergulharam nesse caminho com o personagem, menos dramático e mais humor. Inclusive a relação entre Thor e Jane é bem explorada neste contexto, a química dos dois atores funcionam e entregam ótimas cenas românticas com tons cômicos.

Ficar no humor não é necessariamente ruim, pelo contrário, é um ponto forte de toda a história da Marvel nos cinemas, mas nesse filme dá uma saturada e começa a carregar um tom de despedida para o próprio Thor.

Thor: Amor e Trovão é um filme muito divertido, que gosta de rir de si mesmo, debocha das breguices do universo dos heróis, mas carrega consigo um sentimento de desperdício.

O filme está em cartaz nos cinemas, e futuramente entrará no catálogo da Disney Plus.