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A força criativa do viver

Por Padre Beto
(Atualizado em 16/09/2022 - 8h15)
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A vida é um constante processo criativo impulsionado por um “élan vital”, ou seja, um impulso de vida que faz com que os seres vivos estejam em constante estado de transformação. O universo está em contínua mutação, criando novas formas e sendo um espaço para o surgimento do novo.

A esta fonte inesgotável da qual emanam todas as coisas no seu fluxo perene, ao impulso vital que não é substância, mas força, que produz por evolução sempre novas e melhores formas.

A vida é um rio que flui em uma duração constante que carrega em si o que já existiu e o que está por vir. Neste universo, o ser humano possui um papel fundamental, pois nele encontramos consciência viva, duração concreta, liberdade criativa.

Esta vida espiritual da pessoa humana deve estar em constante comunicação com os seres do universo (atenção à vida), carregado de passado (memória) e em constante expectativa para o futuro (imortalidade). A vida, e principalmente a vida humana, é um constante tornar a ser, criativo surgimento de formas e atos para a superação da matéria. Esta é o único obstáculo para o impulso finito, pois a matéria é inerte, dispersa e solidificada.

Mas, ao mesmo tempo que a matéria impede, limita a evolução do élan, que é puro movimento, ela torna-se necessária, pois é na interação do impulso vital com a matéria que o novo pode surgir. Assim, o élan seria força e energia que atua na matéria.

Nesta dialética entre impulso vital e matéria, nascem no universo humano duas tendências: a moral repressora (regra de coesão social que garante e preserva a vida e os interesses das pessoas) e a expansão libertária (a abertura para a liberdade).

Desta forma, temos sempre presente na vida humana dois momentos éticos: o fechamento e a abertura. A moral fechada é a moral da razão inspirada na ideia da sanção temporal. Ela é a moral da pressão social: obedece-se às leis impostas pela sociedade (cuja finalidade é a conservação da ordem social) pelo temor de se incorrer nas penas previstas para os transgressores da lei ou pelo desejo de se obter as recompensas prometidas a quem age segundo a lei.

A moral aberta, porém, constitui-se em um momento superior do comportamento humano, um momento mais alto da vida, ou seja, sua atuação em liberdade. Na moral aberta, o ser humano experimenta e vive a mais alta expressão da vida, e ao se deparar com as leis da sociedade se eleva à liberdade. Diferente da moral fechada, que pretende ser imutável e tende à conservação, a moral aberta está em movimento e tende à constante busca de melhor qualidade de vida e ao benefício da humanidade: é a moral fundada no amor.

Viver profundamente é ter consciência da mutabilidade do universo e da responsabilidade do ser humano em interagir com seu mundo, deixando fluir, na criatividade e sem o medo do novo, o impulso de vida que todos nós possuímos. Isso significa não se deixar levar pelo negativismo e pelo conformismo, mas ter a consciência de que cada um pode dar sua contribuição para que o universo humano se transforme em uma realidade mais bela e fraterna.

A cada instante, a cada momento, podemos modificar nossa realidade interior e social tornando nossas utopias mais próximas da matéria, mais próximas de uma realidade a ser partilhada com o outro. No trabalho, na família, no círculo de amigos, no bairro, enfim, em todos os espaços que frequentamos podemos dar sentido à nossa vida (que consiste em uma passagem) liberando a força positiva que nos move. Basta nos conscientizarmos que a vida não “é” assim, mas “está” assim.

 

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