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Ser solidário: na tristeza e na alegria

Todo ser humano é uma combinação única de características físicas, mentais e espirituais que vão se formando durante sua existência

Por Padre Beto
(Atualizado em 05/08/2022 - 8h05)
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Todo ser humano é uma combinação única de características físicas, mentais e espirituais que vão se formando durante sua existência. Portanto, não existe nenhum ser humano que seja igual a outro e cada um contribui com seu modo diferente de ser.

Apesar de todas as diferenças e particularidades, encontramos uma base, uma essência em todo ser humano que nos leva à compreensão de que somos semelhantes: o ser humano constitui-se em um indivíduo que está em constante desenvolvimento e em busca de sua realização, de sua felicidade, ou seja, o ser humano é pessoa.

Graças a essa essência podemos nos identificar com os outros e entender suas alegrias e seus sofrimentos. O “ser pessoa” é a base universal que une todos os seres humanos, independentemente de sua sexualidade, raça ou religião. Ao tomarmos consciência de que todos somos pessoas, construímos a plataforma necessária para o surgimento da unidade entre as diferenças, ou seja, para surgimento da solidariedade.

Ser solidário significa ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Um exemplo clássico de solidariedade é a famosa parábola do “Bom Samaritano” narrada no Evangelho de Lucas. Nesta, dois inimigos ideológicos, um judeu e um samaritano, se encontram.

O judeu, depois de um assalto, é deixado semimorto na estrada. Ao vê-lo, o samaritano compreende que, naquele momento, não é simplesmente seu inimigo que está precisando de ajuda, mas principalmente uma pessoa humana. Desta consciência surge o ato solidário do samaritano em relação ao judeu.

Porém, a solidariedade não é sinônimo de compaixão. Ela emerge da compreensão de sermos semelhantes e, portanto, a verdadeira solidariedade não se manifesta somente nos momentos dramáticos, mas também nos momentos alegres da vida. Ao me alegrar com o sucesso de alguém, estou me solidarizando com ele, estou me colocando em seu lugar e vivendo um pouco de sua alegria.

Justamente neste tipo de solidariedade encontra-se um grande desafio para o ser humano. Com certeza, é muito mais fácil ser solidário no momento de sofrimento dos outros. Exteriorizar a nossa solidariedade quando o outro experimenta a tristeza não deixa de ser uma forma de evidenciar que somos mais fortes e nos encontramos em uma situação privilegiada.

Mas, ao demonstrarmos nossa solidariedade com alguém que vive um sucesso ou uma vitória em sua vida, necessitamos de um desprendimento muito maior e uma libertação de nosso egocentrismo, o que significa possuir autoestima, segurança diante da vida e amor próprio. Justamente a solidariedade na alegria é a prova verdadeira de estima, afeição e amizade em relação a nossos semelhantes independentemente de seus sucessos ou fracassos.