Região:

min

max

Anuncie aqui

Seja você mesmo!

Por Padre Beto
(Atualizado em 01/07/2022 - 19h42)
Compartilhar

Eu gostaria de te convidar para um encontro semanal. O encontro será sempre neste espaço, e nele iremos refletir sobre diversos aspectos da vida.

Será um momento para interromper o ritmo da semana e filosofar. Afinal, a nossa realidade necessita da filosofia. Portanto, vamos começar agora.

Pense comigo: todo ser humano é uma composição particular de elementos, uma soma de sua carga hereditária e das experiências vividas em um determinado cosmos social.

Por ser uma formação alquímica única, todo ser humano significa a esperança do surgimento de algo novo. À medida em que vivemos, somos modificados pelas relações humanas e acabamos, também, por modificá-las. Apesar do fato de sermos todos os mesmos, isto é, humanos, ninguém é exatamente igual a qualquer pessoa que tenha existido, exista ou venha a existir.

Esta santa diferença é uma característica de nossa condição humana e faz com que o universo social seja marcado necessariamente pela diversidade de pensamentos e principalmente de ações.

Todo ser humano traz consigo algo de diferente e o expressa através de suas ações. À coerência entre o “novo” de cada pessoa e seu comportamento damos o nome de autenticidade. Esta se torna visível à medida que tomamos consciência de que surgimos neste mundo para sermos felizes e cada ser humano possui o direito a um “lugar ao sol”.

A autenticidade, porém, depende da necessidade que cada ser humano possui em adequar sua forma única de ser, a originalidade de suas ações, com as condições criadas pelas relações humanas, pelo ambiente social.

O drama da condição humana constitui-se justamente na dialética entre a individualidade e as influências do meio social, ou seja, entre ser o que somos expressando livremente o “novo” que podemos trazer ao mundo e as expectativas que as pessoas que nos circundam possuem sobre nosso ser e o nosso agir.

Como viver a nossa autenticidade e não frustrar as esperanças dos que amamos é a questão a ser solucionada por cada ser humano.

Em nossa sociedade a influência social constitui um peso extremo sobre o indivíduo.

Antes de tomarmos uma decisão ou assumirmos uma atitude, somos condicionados desde muito cedo a nos questionarmos sobre “o que as pessoas irão pensar”. Nos sentimos bem quando vivemos em conformidade com o nosso grupo e, por mais fortes que sejamos, somos tomados por uma sensação de desconforto quando não vivemos de acordo com a maioria, ou seja, com a normalidade.

Esta pressão do social sobre o indivíduo, além de ser um desrespeito à individualidade da pessoa humana, contribui para o empobrecimento da vida social, pois sufoca o “novo” com o qual cada pessoa humana poderia enriquecer a vida.

Por isso, faz-se necessário que cada ser humano acredite em si mesmo e não se deixe vencer pelo autoritarismo ou pela intolerância de pessoas que já perderam sua autenticidade.

A grande aventura de viver é não cair na uniformidade, mas ter a coragem de ser o diferente que, na verdade, somos.

Se nos deixarmos vencer, não haverá surpresas, nem alegrias. Afinal, somente buscando a autenticidade podemos realmente iluminar o nosso mundo.