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25 de Julho, dia de luta e conquista para as mulheres pretas

Por Drika Martim
(Atualizado em 28/07/2022 - 13h31)
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Você já ouviu falar sobre o “Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latina Americana e Caribenha”? Então, o dia 25 de julho é uma data muito importante no calendário internacional e que registra a luta das mulheres negras ao longo da história, desde os tempos coloniais, quando foram trazidas como escravas, e que atualmente compõe grande parte das sociedades desde Tijuana no México, até a cidade meridional de Ushuaia, na Argentina.

A data foi estabelecida a partir das lutas de nossas ancestrais – digo nossas porque também sou negra e latino-americana – em busca da garantia do nosso direito de fala, enquanto mulheres negras, e em meio a uma sociedade extremamente marcada pelo racismo e pela desigualdade, destaque que faço quando falo da realidade brasileira.

No Brasil, a nossa luta vem sendo pela promoção de uma agenda política, para mulheres negras brasileiras, a fim de que sejam alcançados os avanços necessários de combate do racismo, ao sexismo e à violência que nos assola diariamente.

Esse ano, a data nos provoca para uma reflexão entorno da urgência da nossa inserção e ocupação dos espaços de poder e decisão. A pauta ainda trata dos grandes limitadores, que impõe limites democráticos e garantem a resistência do racismo estrutural como elemento organizador de nossa sociedade, dificultando avanços e o fortalecimento do coletivo.

Um olhar atento sobre a história mostra que são as mulheres negras, as responsáveis pelo enfrentamento das desigualdades e do racismo, além de comporem parte importante do desenvolvimento econômico e social do país. Essa nossa participação vem desde os tempos antigos, quando nos organizávamos para enfrentar a escravidão, por meio da formação dos quilombos, destaque que gostaria de fazer à nossa eterna liderança quilombola, homenageada também na data do dia 25 de julho, Tereza de Benguela.

O peso histórico de Tereza e das demais companheiras que lutaram ao lado dela, possibilitou o desencadear de processos que garantissem direitos fundamentais ao povo negro, até então excluídos do acesso a terra, a saúde e a educação, e que ainda ampliaram a resistência em defesa à vida do povo negro.

Atualmente, nos organizamos para lutar e defender a viabilização de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo estrutural e da superação urgente das desigualdades. Essa é uma luta que passa pelo cessar do genocídio do povo preto e pela retirada da secundarização das mulheres negras no mercado de trabalho – ainda somos maioria esmagadora quando falamos de trabalho doméstico – lembrando que ainda são recentes os casos registrados pela mídia nacional de trabalhadoras domesticas, negras, vivendo em situação análoga à escravidão.

A luta contra as desigualdades tem impulsionado a nossa caminhada, diante de um cenário pelo três entre cada quatro pessoas, vivendo abaixo da linha da pobreza e em condições de vulnerabilidade social, são negras (IBGE, 2019).

– Então amigas e amigos, aí vos digo: “Onde há racismo não há democracia. Ou enfrentamos as desigualdades ou iremos sofrer as consequências perversas dessas exclusões”.

O papel político exercido pelas mulheres negras é, ao mesmo tempo, o de fazer a denúncia e apresentar alternativas de combate aos problemas que enfrentamos secularmente. A referência nós temos, e sim, nós aplicamos diariamente para continuarmos avançando, sempre atentas às pedras em nossos caminhos, para que amanhã sejamos plenas no exercer de nossa cidadania!

“Fiquem juntas!

Nenhuma de nós, nenhuma, vai aguentar sozinha

Fiquem juntas!

É preciso procurar as outras

É preciso ser procurada pelas outras

Fiquem juntas!

Uma chora, a outra enxuga

Outra cai, a uma levanta

Fiquem juntas!

Nenhuma de nós, nenhuma, vai aguentar sozinha

Precisamos, mais do que nunca, ter sempre uma mulher por perto

Fiquem juntas!”

“Cidinha Oliveira.”