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A identidade materna no “Agosto Dourado”

Por Drika Martim
(Atualizado em 05/08/2022 - 18h41)
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Sabia que ser mãe é um aspecto identitário também? Falei bonito agora kkk! Então, isso que eu disse está diretamente relacionado com a autoidentificação da mulher com a maternidade e de maneira ampla, não apenas no fato único e exclusivo de parir.

A maternidade é algo grandioso, ligado aos sentimentos de partilha, proteção, conquista, resistência, persistência. São inúmeros os sentimentos que se projetam pelo ato de “maternar”, ou seja, “ser mãe é ser f*da, ser mãe é amar plenamente”.

Dentre todos os sentimentos, para além do amor pleno, me atrai o sentimento de proteção, principalmente no mês de agosto, quando a sociedade volta a discutir e reforçar a importância do aleitamento materno.

Para mim, o ato de amamentar é algo tão forte e tão bonito – mas que infelizmente ainda é deturpado por muita gente – e que diariamente vejo que
devemos reforçar a importância e a necessidade de voltar a naturalizar e tornar a amamentação, algo presente nos espaços sociais e na relação mãe e filhas/filhos.

A pauta do aleitamento é repleta de questões que devem ser observadas para garantir esse que é o maior ato de amor e cuidado.

Lógico que há mães que por diversos motivos não conseguem amamentar, mas, para todas aquelas que podem, eu acredito ser importante  lembrar:

Amamentar combate a insegurança alimentar, muito comum nas periferias e favelas de todo o país;
Amamentar é uma maneira de garantir a saúde da criança, o que possibilita uma melhor qualidade de vida desde o nascer até a fase adulta;

O leite materno é rico em nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança e nunca será substituído por fórmulas;

O ato de amamentar necessita de ajuda, o que chamamos de “Rede de Apoio” e que é constituída pelos familiares, companheiras/companheiros,
amigas/amigos e também profissionais da saúde;

Produtos para amamentação jamais substituirão o seio materno, afinal, amamentar reforça o vínculo entre a mãe e a criança;

Amamentar é um ato político, pois combate a ignorância daqueles que creem que amamentar em público é algo ofensivo. Ofensivo é fragmentar
o corpo da mulher, em “parte corpórea de interesse sexual”;

Amamentar depende de uma participação muito grande dos homens como rede de apoio, desconstruindo a sexualização dos seios em prol da
saúde da criança;

Todo excedente de leite pode ser enviado aos Bancos de Leite, possibilitando com que outras crianças que por algum motivo não tenham
acesso ao leite materno, sejam beneficiadas.

Essa é uma pauta que realmente deve ser levantada continuamente, precisa estar além da política pública e deve ser parte da cultura da nossa sociedade.

Minhas intenções estão longe de ditar regras para toda a sociedade, mas tenho que ser sincera. Meu objetivo aqui é conscientizar o maior número de pessoas.

Há 30 anos, o dia 1º de agosto foi instituído como o Dia Mundial da Amamentação, algo natural, acessível, imprescindível e transformador, que se receber a devida atenção, pode mudar muitas coisas no desenvolvimento social a longo prazo, afinal, o maior gesto de amor executado às avessas  dos interesses comerciais e industriais, com certeza se traduzirá numa sociedade mais saudável e mais amorosa.

“Mas Drika, por que ‘Agosto Dourado’?”
Então, gente, tudo que é dourado remete a algo nobre e de qualidade, logo, não há nada mais valioso para uma criança do que o leite materno, certo? Portanto, fica a dica da Drika: “Seja mãe na essência, ame além das fronteiras. Leite bom é leite do peito!”

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