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Motos roubadas ou pizzas frias?

Bloqueios da polícia surpreendem criminosos, mas atrasam as entregas

Por Rubens Maximiano
(Atualizado em 08/07/2022 - 9h57)
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Meu irmão entregava pizza, de moto, em Sorocaba. Era um tipo de “bico” para complementar o salário. A gente morava na Vila Santana e ele trabalhava numa pizzaria na Hermelino Matarazzo. Quando começava a escurecer, lá ia o João em busca do dinheirinho extra.

E como todo entregador de pizza, alimentava a expectativa de uma gorjeta. Depois de muitas entregas, ele já sabia, direitinho, qual era o perfil do consumidor que costumava dar uma gratificação. Segundo o meu irmão, na hora da gorjeta, os homens eram bem mais generosos. As mulheres, muito educadas, pagavam direitinho, mas só o valor da nota.

E o meu irmão gostava do serviço de entregas. Além da renda adicional, fazia muitos amigos. Mas precisou parar por conta de um acidente. Caiu da moto e rompeu os ligamentos do joelho. Ficou seis meses com a perna imobilizada.

Pois é, vida de entregador tem esse risco. Mas atualmente o risco maior é quando alguém se faz passar por um motofretista para cometer crimes. Os bandidos colocam as bolsas de entregas nas costas, com o logotipo do iFood ou de outro aplicativo e saem de moto, normalmente roubada, para praticar todo tipo de bandalheira, inclusive latrocínio.

A Polícia Militar tem feito recorrentes bloqueios para surpreender os criminosos. E tem dado resultado. Desde o início de maio, quase 74 mil motos foram vistoriadas e 3,6 mil motos foram recuperadas, segundo dados do Detran SP. Olha que legal. Só tem um problema: a pizza chega fria. Os motoboys entendem que essas blitz são boas, mas acabam levando desconforto aos consumidores que são obrigados a esperar bem mais pra receber a entrega. E muitos não entendem.

A utilização de um baú fixo, em vez da “bag” (mochila quadrada presa às costas do motociclista) dificultaria bastante a ação dos criminosos. Mas muitos motofretistas resistem ao baú, porque o equipamento inutiliza o banco do carona. Com a bag, mais de uma pessoa pode usar a moto. E mais: a instalação do baú demanda um investimento de cerca de R$ 500. Tá certo que as bolsas térmicas são até mais indicadas para o transporte de alimentos.

Os profissionais de entregas querem que as plataformas digitais arquem com o custo do equipamento. Os aplicativos desconversam e dizem que querem ajudar oferecendo suporte digital. Eles entendem que para equipar todas as motos com baú, considerando os fornecedores atuais, levaria anos para que o ciclo se completasse. Não tá fácil pra ninguém.