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Cadê as rodas do meu carro?

Por Rubens Maximiano
(Atualizado em 05/08/2022 - 7h40)
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Durante alguns anos eu administrei uma produtora de vídeo. A empresa ficava na Rua Professor Toledo, no Bairro do Trujillo, em Sorocaba.

Depois do trabalho na Jovem Pan, como repórter e apresentador, eu começava uma segunda jornada na produtora.

Um dia ao sair do trabalho, já de noite, percebi o meu vizinho da casa de frente de pé ao lado do meu carro (uma picape Saveiro). Ele parecia estranho. Me contou que tinha visto duas pessoas furtarem o estepe da minha picape, que fica afixado debaixo da carroceria. Dei uma olhada por baixo do veículo e confirmei o sumiço da roda.

Fiz o boletim de ocorrência, como é de praxe, e precisei arcar com as despesas que passaram dos R$ 2 mil. Mais tarde fiquei sabendo que o vizinho havia sido preso por furto de carros. Ou seja, deve ter sido ele mesmo quem levou meu estepe.

Mas hoje em dia os criminosos estão mais ousados. Os caras estão levando as quatro rodas do veículo que depois fica sustentado por tijolos ou pedaços de madeira.

Imagine o susto do proprietário ao dar de cara com o seu carro esparramado no asfalto sem as rodas. Fora as despesas que, em muitos casos, passam dos R$ 10 mil.

Em poucos minutos criminosos retiram as rodas e fogem (Foto: Divulgação)

E é fácil entender a onda de furtos de rodas. A rede de criminosos tem olheiros espalhados pela cidade com a missão de identificar carros em locais vulneráveis, sem apetrechos de segurança, como parafusos antifurto e, de preferência, com rodas de liga leve. Em instantes aparecem bandidos com macacos nas mãos. Em poucos minutos retiram as rodas e fogem.

Obviamente esse tipo de crime só acontece porque há receptadores. Muitas vezes as rodas são até encomendadas. É o filé mignon dos ladrões de carros. Diferentemente de algumas peças que precisam ser desmontadas e vendidas em ferro velho, as rodas só precisam ser entregues em lojas automotivas que trabalham à serviço do mal.

Nem precisa dizer que são revendidas por valores muito menores do que os praticados no mercado. Se a polícia descobrir, o que, convenhamos, é muito difícil, o comprador pode ser enquadrado em vários crimes e até ser preso. A pena por receptação pode chegar a quatro anos de prisão.