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Motorista idoso batia em carros estacionados

Sem reflexos, homem com mais de 90 anos teimava em dirigir, apesar dos avisos do tempo. Deixava cartões no para-brisa dos carros batidos com seu nome, telefone e uma mensagem de desculpas, prometendo arcar com as despesas do estrago

Por Rubens Maximiano
(Atualizado em 18/08/2022 - 9h01)
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Aceitar a hora de parar de dirigir é um ato de sabedoria. Muitos idosos entendem que os reflexos já não são os mesmos e aposentam a CNH.

Meu pai, que tem 88 anos, já devolveu a carteira há algum tempo.

Certa vez fomos visitar minha irmã em Votorantim. Fomos no carro dele. Ele não tinha Waze. Mas mostrou uma boa memória conduzindo o veículo direitinho até a casa da filha. O problema foi na chegada. Parou bem em frente à casa da minha irmã, só que… no meio da rua.

– Pai, tudo certo? – Perguntei desconfiado que ele não tinha percebido a barbeiragem.

– Sim tudo certo. – Respondeu sem entender direito.

– Pai, o senhor parou no meio da rua. – Ele olhou com surpresa para os dois lados e reconheceu a mancada. Gastou mais uns três ou quatro minutos para estacionar.

Os carros que vinham atrás foram bastante generosos e esperaram com paciência o final da manobra, sem buzinar.

Tempos depois meu pai anunciou que estava devolvendo a CNH. Reclamou da falta de reflexos e das dificuldades em enxergar à distância. O passo seguinte foi vender o carro, que tinha menos de 5.000 quilômetros rodados. Esta é uma questão importante. Os idosos, muitas vezes, são vítimas de comerciantes inescrupulosos que se aproveitam da ingenuidade e despreparo dos mais velhos para esse tipo de negócio. Por isso é vital que os parentes ou amigos mais próximos acompanhem o idoso até a loja ou concessionária.

Tem aqueles que não querem parar de dirigir

Se por um lado alguns idosos aceitam as limitações e abrem mão da direção, outros insistem em dirigir, apesar dos avisos do tempo. Tinha um senhor, pai de um amigo de Sorocaba que, já na faixa dos 90, continuava a dirigir. Vira e mexe dava uma raspada em algum veículo estacionado.

Sempre pagou as despesas das vítimas dos arranhões. Com a recorrência das batidas, passou a carregar uma caixinha cheia de cartões com seu endereço e telefone. Assim ele batia e já entregava o cartão para o coitado que teve o carro batido, com todas as informações para a reforma do veículo.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro não existe uma idade limite para dirigir. A propósito, um idoso da cidade de Avaré renovou a CNH aos 102 anos.

O prazo entre as renovações varia de acordo com a idade. Quem tem menos de 50 anos precisa renovar a CNH a cada 10 (dez) anos. Acima dos 50, o intervalo cai para 5 (cinco) anos. Quem já passou dos 70 (setenta) anos precisa revalidar o documento a cada 3 (três) anos.