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Sorocaba pode herdar empregos da fábrica da Mercedes-Benz do ABC

A fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo vai demitir 3600 funcionários. A empresa deve terceirizar grande parte das atividades. Empresas de Sorocaba são cotadas para assumir parte da produção

Por Rubens Maximiano
(Atualizado em 20/09/2022 - 17h30)
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A fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo deve demitir cerca de 3.600 funcionários. A notícia, muito desagradável para toda essa comunidade de trabalhadores e seus familiares, pode afetar Sorocaba. A empresa pretende terceirizar uma série de atividades. Ou seja, em vez de fabricar e montar eixos e transmissão, por exemplo, passará essa atividade aos fornecedores.

Aí é que entra Sorocaba. Existem empresas na cidade, como a ZF, aptas a assumir a produção para a Mercedes-Benz. Não tive nenhuma informação oficial da ZF, mas pelo que já acontece na esfera mundial, como a parceria na produção dos caminhões elétricos, por exemplo, é de se supor que no Brasil a cooperação se repita. Talvez, a Schaeffler também possa assumir parte dessa parceria.

Isto pode significar um novo aporte de vagas na indústria local. Olha que legal. Imagino que de centenas de vagas.
Legal e triste ao mesmo tempo. A fábrica de caminhões da Mercedes empregou muita gente em São Bernardo do Campo ao longo de décadas. Muitos migrantes nordestinos. Eu tenho um tio pernambucano que trabalhou na montadora praticamente a vida toda. Criou e estudou os filhos, um engenheiro, outro advogado, graças ao emprego na fábrica da Mercedes.

Me lembro que ele vivia a euforia do milagre econômico na década de 70, quando conseguiu o emprego na Mercedes. Realizava o sonho de milhares de outros migrantes que deixaram a pobreza nas áreas secas do Nordeste para subir alguns degraus na escala social. Comprou uma casa num conjunto habitacional, comprou um Fusca, casou, tinha 3 filhos saudáveis. Enfim, uma vida de sonhos.

Mas o destino sempre prega peças na gente. Algumas dramáticas. Seu filho mais velho, quando tinha uns 5 anos em 1974, contraiu a meningite. Naquele ano havia se instalado uma terrível epidemia da doença, especialmente na região do ABC. Os sintomas apareceram de manhã, com muita dor de cabeça na altura da nuca. Por volta das duas da tarde meu primo havia morrido. Acho que essa é uma perda que ninguém nunca consegue superar. Mas a vida segue. Em São Bernardo do Campo ou em Sorocaba.

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