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Parkour: como um esporte predominantemente masculino pode transformar nós, mulheres

Esporte desenvolve várias habilidades motoras

Por Mariana Dias
(Atualizado em 04/05/2022 - 19h17)
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Parkour. Quando eu ouvia falar desse esporte eu imaginava muitas coisas, só não pensava que seria algo que um dia eu praticaria e amaria. Achava um tanto quanto radical, que exigia habilidades absurdas e que precisaria ter iniciado muito cedo se quisesse ter algum êxito.

Felizmente, como acontece algumas vezes na vida, me surpreendi! Meu primeiro contato com parkour foi através do meu marido, que era praticante há muitos anos, logo que começamos a namorar. Ele era apaixonado pela prática e eu comecei a me interessar por ver como aquilo fazia bem para ele. Após um tempo acompanhando os treinos dele de longe, decidi que daria uma chance e queria conhecer também. Tinha 25 anos e comecei fazendo aulas indoor, em uma escola de circo, porque considerava que seria mais seguro. Amava as aulas, era divertido. Eu estava me exercitando, aprendendo novas habilidades motoras e me desafiando.

 

 

Em pouco tempo já veio a vontade de ir pra rua. Nos primeiros treinos eu ficava tímida, com muito medo de me machucar (afinal, não tinha colchões de proteção como na escola) e receosa de como seria recebida pelos praticantes, afinal, quase não havia mulheres treinando em minha cidade. Para minha sorte fui bem acolhida pelo grupo. Os medos não foram embora, mas aprendi a lidar com eles, afinal, faz parte do amadurecimento no parkour.

Tive muitas inspirações femininas ao longo dos anos que pratiquei e uma delas foi daqui mesmo, de Sorocaba. A Ana Luiza Stramandinoli foi uma das primeiras praticantes da cidade e tem uma história incrível com o parkour.

Ela conheceu o esporte através de um amigo em 2009, quando tudo o que se encontrava sobre o assunto, até então, eram vídeos aleatórios no Youtube. Não havia nada muito aprofundado e isso despertou nela mais vontade de estudar o parkour.

Na época só homens treinavam na cidade e a primeira vez que ela viu mulheres treinando foi em São Paulo, em um encontro entre praticantes brasileiros e franceses. Ana passou a manter contato com elas e a organizar os Encontros Femininos de Parkour no Brasil, que acontecem até hoje, uma vez ao ano. E são eventos incríveis! É sensacional ver tantas mulheres reunidas, se apoiando e se desenvolvendo mutuamente.

 

Ana Luiza Stramandinoli foi uma das primeiras adeptas do esporte no Brasil

 

Em 2012 a Ana teve a oportunidade de trabalhar com parkour e dança em uma rede de academias na Indonésia, onde ficou por 8 anos e se aprofundou mais sobre o assunto. Há 2 anos ela voltou para o Brasil e, em 2022, montou uma academia onde dá aulas de ginástica artística e parkour para crianças, jovens e adultos de Sorocaba.

Em abril ela comemora 13 anos desde o seu primeiro treino de parkour, e toda essa história só foi possível através do conhecimento e conexões que o parkour proporcionou a ela.

Assim como eu, a Ana se apaixonou pelas possibilidades que o parkour traz: treinar força, equilíbrio, desenvolver coragem e muitas habilidades motoras de uma forma totalmente fora do convencional. E, claro, de conhecer muita gente, de todos os lugares do Brasil e do mundo! Em Sorocaba podemos praticar em diversas praças e parques, e também temos treinos para jovens e adultos em escolas.

E aí, quem encara esse desafio?

 

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