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Depois da pandemia, hora de novos desafios pelo mundo

Por Nádia e Osmar Chor
(Atualizado em 02/09/2022 - 9h18)
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Há exatos 5 anos, estávamos na Europa realizando a maior cicloviagem de nossas vidas até aquele momento. Resolvemos comemorar os 30 anos de casados, que seriam completados em dezembro, percorrendo mil quilômetros entre Alemanha e Itália, partindo de perto de Frankfurt, cruzando os Alpes da Áustria, e terminando na belíssima Veneza. Sem dúvida, um baita desafio para quem só fazia viagens de 2, 3, no máximo 4 dias.

O planejamento levou cerca de 10 meses, tal a complexidade da jornada. Afinal, além da distância, a altimetria assustava. Planejar a viagem foi tão enriquecedor, que no retorno lançamos o livro “Antes Tarde do Que Mais Tarde”, contando tudo, desde nosso início no mundo da bike até o diário de bordo dos 20 dias em cima da magrela.

A partir daquele momento, planejamento virou a palavra de ordem antes de qualquer cicloviagem. Em breve faremos uma coluna aprofundando o tema.

 

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Agora, estamos envolvidos em um novo projeto, e, por coincidência, novamente a Itália está em nosso radar. Em novembro, vamos fazer o que estamos chamando de “Rota dos Vulcões”, um caminho traçado por nós para percorrer quatro emblemáticos vulcões italianos: Vesúvio, Stromboli, Etna e Solfatara. Este último, na verdade, considerado cratera vulcânica, já que fica no nível do solo e apenas emite vapor com fumaça sulfurosa por suas fendas.

As dificuldades da viagem começam por aí mesmo, os vulcões. Pretendemos subir de bicicleta o Vesúvio e o Etna. O Solfatara, como dissemos, não é montanhoso, e o Stromboli, além de fortemente ativo, fica em uma ilha, portanto iremos de barco e faremos apenas caminhada até onde for autorizado. O Vesúvio não deve ser tão difícil. Ele fica a pouco mais de 1,2 mil metros acima do nível do mar, com acesso através de uma estrada de cerca de 14 quilômetros.

Já o Etna, com suas mais de 200 crateras, precisa de logística para conseguir acessá-lo. A começar pela altitude: 3.329 metros acima do nível do mar.  Como sabemos, a partir de 2.500 metros o organismo passa a sofrer alterações por causa da pressão atmosférica, e a partir de três mil metros já falta oxigênio.

Como em toda cicloviagem, há sofrimento, mas também prazer. Passaremos por lugares deslumbrantes, sítios históricos e mergulhar na cultura e gastronomia da Itália.

Vamos partir de Nápoles, na região da Campânia, passar pela Costa Amalfitana, descer o litoral oeste até a Calábria, de onde cruzaremos de balsa o Estreito de Messina até a Sicília. Na ilha, faremos boa parte do litoral leste, passando pelas cidades de Taormina, Catânia e Siracusa. Essas, e outras cidades da Sicília, preservam monumentos e edificações da época em que a Ilha fazia parte da Magna Grécia. Foi em Siracusa que o matemático, físico e astrônomo Arquimedes teria corrido pelas ruas da cidade gritando “eureca, eureca” (descobri em grego) ao solucionar um problema encomendado pelo Rei Hierão II, que queria descobrir o volume de ouro de uma coroa.

Em paralelo, seguimos nossa busca pela gastronomia típica do lugar e ainda pouco conhecida pelos estrangeiros. Foi o que fizemos no livro Rota Moche, sobre a culinária peruana.

Agora, na Itália, teremos a difícil missão de descobrir pratos e iguarias ainda preservados no cotidiano de seus moradores. Um exemplo é a colatura di alici (anchovas), molho produzido somente em uma pequena cidade da Costa Amalfitana, cuja tradição remonta aos tempos romanos.

Os peixes, sem cabeça e vísceras, ficam no sal por 24 horas, depois são colocados em barril de carvalho, sempre em camadas alternadas com mais sal. O barril é coberto, e por cima da tampa fica um peso pressionando o conteúdo por vários meses. Ao final do processo, o líquido é coado e engarrafado. Esse concentrado é usado de diversas formas, mas a mais tradicional é apenas jogá-lo por cima de um espaguete e misturar.

The Godfather

A viagem vai nos proporcionar ainda um momento de rara emoção. A Sicília serviu de cenário para a trilogia O Poderoso Chefão, do diretor de cinema Francis Ford Coppola.

A cidade retratada é Corleone, onde o chefão da máfia teria nascido. Corleone realmente existe, mas, não se sabe os motivos, as locações foram distribuídas por vários outros locais, com especial destaque para Savoca e Forza d’agrò.

Para os aficionados pelo filme, não há como esquecer o bar Vitelli, onde Apolônia é pedida em casamento por Michael Corleone. Pois bem, esse bar permanece funcionando e serve de ponto turístico para milhares de visitantes todos os anos. Ah, é possível sentar-se no mesmo lugar de Michael e tirar fotos.