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Arnold Schwarzenegger, o musculoso que conquistou Hollywood, faz 75 anos

Ator desistiu e voltou a atuar, inclusive contracenando com Rodrigo Santoro em O Último Desafio

Por Estadão Conteúdo
(Atualizado em 30/07/2022 - 10h53)
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Existem frases que se tornaram emblemáticas na história do cinema. O cinéfilo sabe de cor. Casablanca, de Michael Curtiz, 1942. “Play it again, Sam.” Até hoje, 80 anos depois, há controvérsia se a frase é mesmo dita, e por quem? Rick/Humphrey Bogart, Ilsa/Ingrid Bergman? Nãããoooo – a frase é de Uma Noite em Casablanca, de Archie Mayo, com os irmãos Marx, de 1946. Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard, de 1950. Essa todo mundo sabe quem diz – Norma Desmond/Gloria Swanson. “Pronta para o close, Mr. De Mille.” E Billy Wilder, de novo. Irma la Douce, de 1963. Moustache/Lou Jacobi vive repetindo – “… Mas essa é outra história!” A essas frases é precioso acrescentar “Hasta la Vista, Baby!” Arnold Schwarzenegger, The Terminator/O Exterminador do Futuro, de James Cameron, de 1984.
Arnold Alois Schwarzenegger – quantos de seus fãs sabem que ele possui esse nome do meio? – tinha 37 anos quando interpretou o papel que o marcou, mais do que qualquer outro. Nascido na Áustria, em 1947, fez carreira no fisiculturismo. Aos 20 anos venceu o concurso de Mr. América e, na sequência, venceu sete vezes – sete! – o concurso de Mr. Olympia. Foi o passaporte que o levou a Hollywood para interpretar Conan, o Bárbaro, no longa de mesmo nome de John Milius, de 1982, baseado nos quadrinhos de Robert E. Howard. O resto é história. Só como Terminator ele fez mais três filmes – O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, O Exterminador 3 – A Rebelião das Máquinas, O Exterminador 5 – Destino Sombrio. No 4, foi substituído por Christian Bale.
Após Conan – e o Terminator – Schwarzenegger virou um dos mais requisitados astros de ação de Hollywood. Fez Comando para Matar, Predador, Inferno Vermelho, O Vingador do Futuro, O Último Herói de Ação, True Lies e Fim dos Dias. O Último Herói pegava carona na Síndrome de Cecília, do clássico de Woody Allen A Rosa Púrpura do Cairo, e o garoto premiado com o ingresso mágico entrava na tela para viver movimentadas aventuras ao lado de Schwarzenegger.
Quanto a Fim dos Dias, foi produzido sob medida para explorar a paranoia deflagrada pelo medo do ‘big bug’, na passagem do milênio. Disposto a parodiar a própria imagem de herói de ação emendou comédias – Irmãos Gêmeos, de Ivan Reitman, tão absurdo que o irmão era Danny DeVito, Um Tira no Jardim de Infância e Júnior. Nesse, um remake disfarçado de Um Homem em Estado Interessante, de Jacques Demy, com Marcello Mastroianni, ele engravidava. Casado com Maria Shriver, do clã Kennedy, ninguém estranhou quando Schwarzenegger enveredou para a política. Foi governador da Califórnia num mandato tampão em 2003 e reeleito para outro mandato integral em 2006.
Schwarzenegger desistiu e voltou a atuar, inclusive contracenando com Rodrigo Santoro em O Último Desafio. A carreira política não foi muito longe. No fim dos anos 1990, admitiu que havia tido um filho com uma trabalhadora da casa. Foi um longo processo, mas Maria e ele se divorciaram no ano passado. Embora republicano de carteirinha, esteve na contramão do presidente Donald Trump. Quando Trump foi contra a vacina da covid, invocando a liberdade individual, Schwarzenegger criou uma de suas frases famosas. “Fuck freedom.” O senso comum tem de prevalecer.

Parabéns, Arnold!

E qual é o motivo para lembrarmos tudo isso? Arnold está completando 75 anos neste sábado, 30. A data está sendo lembrada pelo canal Star+, que tem no seu streaming os seguintes filmes do astro – O Predador, Júnior, O Último Desafio, Fim dos Dias, Sabotagem, Irmãos Gêmeos, Conan, o Bárbaro, Um Tira no Jardim da Infância. No canal A&E, será possível (re)ver O Exterminador do Futuro e A Rebelião das Máquinas. Já que iniciamos o texto com frases emblemáticas, incluindo uma de Schwarzenegger como Terminator, por que não outra?

Conta a lenda que foi a única briga de Schwarzenegger com o diretor Cameron no set de O Exterminador do Futuro. Schwarzenegger bateu pé. Não queria dizer a frase – também emblemática – “I’ll be back”, Eu voltarei. O astro sustentava que, como um robô, deveria dizer “I will be back”. Cameron não quis nem saber – “Eu não me meto na sua interpretação, então não se meta na minha escrita. Vai ser ‘I’ll be back’, e assunto encerrado.” A frase, como o diretor queria, contribuiu para a aura do filme, e do personagem de Schwarzy. Tanto é verdade que, neste sábado, ele está de volta como o indestrutível Terminator.