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Conheça o diarista que faz sucesso nas redes sociais

Thiago Haka, de 35 anos, trabalha como diarista e dá dicas de limpeza na internet

Por Redação
(Atualizado em 01/08/2022 - 12h27)
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Natural de Brasília, Thiago Haka, de 35 anos, foi se aventurar morando sozinho na capital de São Paulo há oito anos. Ele trabalhava como recepcionista de um hotel e no começo da pandemia da Covid-19 foi demitido. Mas o momento de apuro financeiro na cidade grande trouxe uma oportunidade.

Haka se reinventou e começou em uma nova profissão, que no Brasil é mais ocupada por mulheres: a de empregado doméstico. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 57 milhões de brasileiros trabalhavam nesta profissão em 2021, 92% eram mulheres e 65% mulheres pretas. 

Ao temmais.com o diarista conta que ficou desesperado quando perdeu o emprego, pensou em diversas opções para ganhar dinheiro rápido. Inseguro, mas com o incentivo de amigos, ele publicou um banner nas redes sociais oferecendo o serviço de faxina.

“A gente tem uma percepção de que mulher que é mais contratada, que ninguém gosta muito de trabalho de homens, enfim, aquele estereótipo social”, conta.

Viralizou

Haka começou limpando as casas dos amigos e logo passou ser indicado para atender pessoas fora do ciclo social, aumentando cada vez mais sua lista de clientes.

Ele começou a levar para a internet suas experiências durante as limpezas, até que uma postagem viralizou. Nela ele dá dicas dos melhores produtos de limpeza que já usou durante os dois anos de profissão. E com 152,5 mil curtidas, Thiago Haka ficou conhecido como o ‘Homem Diarista’.

“Eu postei, tinham as 20 curtidas, eu fui dormir, tinham cem. Eu já achei que era o auge, porque as minhas curtidas eram no máximo três ou quatro. Quando eu acordei para ir para a casa da cliente, já tinha 10 mil”, lembra. Depois disso a agenda dele ficou lotada.

O diarista

O Homem Diarista ficou famoso nas redes social depois de tweet viralizado (Foto: Thiago Haka/Arquivo pessoal)
O Homem Diarista ficou famoso nas redes social depois de tweet viralizado (Foto: Thiago Haka/Arquivo pessoal)

Em uma profissão mais ocupada por mulheres no Brasil, Haka conta que limpar casa nunca foi ‘serviço de mulher’ para ele, que aprendeu desde pequeno as obrigações domésticas.

“Eu cresci com minhas tias falando sobre as experiências delas como diaristas. Minha mãe também já trabalhou com isso, então ela ensinou os filhos desde criança”, diz.

Mas trabalhar na casa de outras pessoas exigiu uma responsabilidade maior e força de vontade para encarar e quebrar o estereótipo social.

“As pessoas ainda têm uma visão de achar que é quem limpa é um serviçal ou mesmo tem esses requisitos da escravatura.”

Direitos trabalhistas

Além disso, ele é bem exigente na hora de aceitar um serviço, estudou todos os direitos trabalhistas desta profissão e leva o trabalho muito a sério.

“Uma cliente veio dizer que não iria mais me contratar por eu ter conhecimentos de mais do que eu deveria cobrar ou não. Porque ela queria uma pessoa menos instruída”, relata.

De acordo com o Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil, o Radar SIT, oito pessoas foram resgatadas de trabalho doméstico análogo à escravidão no estado de São Paulo, em 2021. 

Por isso, Thiago sempre busca incentivar as colegas de trabalho a procurar e estudar sobre os direitos desse emprego, pois segundo ele, é um ambiente propício à exploração.

“Sempre busco orientar as pessoas ‘olha, estudem, busquem conhecimento’, porque isso auxilia muito a evitar explorações porque constantemente as pessoas elas querem isso não é explorar, querem é enxergar o outro como um serviçal”, explica.