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Dia 9 de julho é feriado em SP: saiba a história da data

A data, que é um feriado no estado de São Paulo, marcou o momento histórico em que um movimento armado pretendia derrubar o governo provisório do presidente Getúlio Vargas

Por Redação
(Atualizado em 09/07/2022 - 9h55)
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Neste sábado, dia 9 de julho, a Revolução Constitucionalista de 1932 completa 90 anos. A data, que é um feriado no estado de São Paulo, marcou o momento histórico em que um movimento armado pretendia derrubar o governo provisório do presidente Getúlio Vargas.

A Lei Federal nº 9.093, de 12 de setembro de 1995, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, determina que as datas fixadas em lei estadual se tornam feriados civis. Com base nisso, o deputado estadual Guilherme Gianetti apresentou o Projeto de Lei nº 710/1995, que deu origem à Lei Estadual nº 9.497, de 5 de março de 1997, que instituiu o dia 9 de julho como feriado civil paulista.

Ao temmais.com o professor de história João Paulo Dall’Ava, explica que o movimento de 1930 é entendido como um golpe de estado promovido pela elite. Na época Minas Gerais e São Paulo se revezavam entre os políticos escolhidos para a presidência do Brasil, na política do café-com-leite.

Segundo o professor, a crise política estava diretamente relacionada com a corrida eleitoral, na qual a quebra do acordo político vigente fez com que um grupo representante das oligarquias se revoltasse contra o presidente.

Motivos que levaram à revolta

A subida de Vargas para o poder do Brasil foi o resultado final da Revolução de 1930, responsável também pela destituição de Washington Luís e pelo impedimento da posse de Júlio Prestes. A Revolução de 1930 uniu as dissidências oligárquicas que se opunham aos paulistas e contou com adesão dos tenentistas.

“Quando Vargas assume em novembro de 1930, ele assume provisoriamente, mas esse governo que se dizia provisório foi se arrastando, e depois de dois anos, ainda não havia uma constituição, nem uma nova eleição”, disse.

O professor explica que outro fator para a revolta foi a permanência de Getúlio no poder e a demora para escrever uma nova constituição, por isso nome “Revolução Constitucionalista”.

“Depois desse fato histórico, houve diversas manifestações e em uma delas surge o maior símbolo da oposição do governo: MMDC, formado pelas iniciais dos estudantes Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo mortos em protestos. Este fato foi o estopim para começar a revolução”, afirmou o professor.

No dia 9 de julho de 1932 começaram os embates militares. As tropas paulistas, formadas pela Força Pública e por voluntários, enfrentaram as tropas federais, Exército e Marinha. Para o professor, apesar da história aparecer como revolta na historiografia foi uma guerra civil.

“Tivemos brasileiros lutando contra brasileiros, dentro do território nacional. Paulistas contra as tropas federais”, afirmou.

De acordo com ele, durante a revolução surgiu um movimento separatista, em que os paulistas defendiam que São Paulo virasse um país.

Influência no interior

Como a revolução foi em todo Estado de São Paulo, muitas cidades do interior faziam parte do movimento, segundo o professor.

Ele conta que as indústrias, comércios e até times de futebol da cidade ajudaram arrecadando dinheiro para a causa. Além disso, homens do Tiro de Guerra de Sorocaba (SP) atuaram na linha de frente do combate.

De acordo com o especialista, a imagem dos bandeirantes foi resgatada como “heróis paulistas” em 1932, virou o símbolo do estado representando a virtude e a força, pelo fato de terem desbravado o país. Mas, há controvérsias sobre a história desses homens que desbravaram o interior paulista.

“Eles foram muito importantes no processo de interiorização do território brasileiro, do reconhecimento do interior. Mas não podemos esquecer que eles foram violentos, escravizaram indígenas, foram responsáveis pela morte de muitos indígenas”, disse.

Consequências

Mesmo perdendo, as consequências da guerra foram positivas para São Paulo, pois parte do que os paulistas reivindicavam foi acatada pelo governo, segundo o professor.

“Em 1933 foi convocada uma assembleia constituinte, foram eleitos parlamentares para elaborar uma nova constituição, que fica pronta em 1934. Essa constituição foi bastante avançada para época, trouxe o voto feminino”.